Países do Mercosul vão ter moeda única
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Agência Folha 
Os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram ontem em Ushuaia (extremo sul da Argentina) documento que prevê a criação da moeda única do Mercosul. O texto desse tópico, considerado abstrato mesmo pelos negociadores argentinos, não define data para a unificação monetária. Paralelamente, os ministro de Economia e presidentes de Banco Central concordaram em se reunir periodicamente para a coordenação de políticas macroeconômicas entre os países do bloco, além de Bolívia e Chile.
A primeira das reuniões será no início de agosto em Montevidéu (Uruguai). A inclusão do capítulo sobre a moeda única no documento da Reunião de Cúpula do Mercosul foi resultado de pressões do governo argentino. A idéia tornou-se o marco da presidência temporária argentina do bloco, do final de dezembro de 97 até hoje.
A resistência brasileira à discussão do tema antes que o Mercosul consolide-se como mercado comum ficou clara com a ausência de orientação dos presidentes para a discussão dos cronogramas para a unificação monetária ou de uma data limite. Em seu discurso, o presidente Fernando Henrique Cardoso não mencionou o tema. O processo de aprofundamento da união aduaneira deve ser enriquecido com novas iniciativas que permitam definir disciplinas fiscais e de investimento, trabalhar na harmonização de políticas macroeconômicas e dar consideração aos demais aspectos que poderiam facilitar, no futuro, o estabelecimento de uma moeda única no Mercosul, diz o comunicado assinado pelos presidentes.
Logo depois dos discursos oficiais, no início da tarde, o presidente da Argentina, Carlos Menem, apresentou as moedas cunhadas pelo Banco Central em homenagem ao Mercosul - um protótipo do que os argentinos esperam que seja a moeda única. Foram emitidos 1 milhão de pesos em moedas de 1 peso e de 50 centavos, que estão em circulação no país desde ontem. Nelas estão cunhadas as palavras democracia, paz e integração.
Ratificamos o caminho para chegar à união monetária no Mercosul, afirmou Menem durante seu discurso de abertura da reunião de Ushuaia. Ela vai ser um sinal de segurança para o mercado externo. O Mercosul terá a oportunidade de se tornar o principal centro de atração de investimentos do século 21, completou.


