Os países do Mercosul, mais Bolívia e Chile, anunciaram ontem, em Buenos Aires, um inédito compromisso de enfrentar de maneira conjunta ‘‘os problemas sociais mais agudos’’ dos seis países. Os presidentes do Brasil, da Argentina, do Paraguai, Uruguai, Chile e o chanceler da Bolívia, representando o presidente Hugo Banzer, decidiram também ‘‘promover a institucionalização de uma reunião de autoridades em matéria de desenvolvimento social’’.
A ‘‘Carta de Buenos Aires sobre o Compromisso Social’’ menciona o consenso de que ‘‘o desenvolvimento econômico e a plena integração regional só podem ser alcançadas com justiça e equidade social’’. Os governantes também difundiram um comunicado conjunto em que planejavam relançar o Mercosul, ‘‘com o objetivo de erradicar a pobreza e todas as formas de discriminação’’. O comunicado também reitera os compromissos democráticos e de manutenção da área como uma zona de paz e livre de armas de destruição em massa.
O texto reafirma ‘‘a importância de avançar na coordenação macroeconômica’’, e o objetivo de ‘‘coordenar iniciativas no campo dos direitos humanos’’. Os governantes voltaram a manifestar sua ‘‘permanente preocupação pelo uso de drogas, o narcotráfico e seus delitos conexos’’, e congratulam a Bolívia ‘‘pelos esforços em desenvolver culturas de substituição’’ às matérias-primas de drogas.
Os presidentes destacam particularmente a estratégia de ‘‘regionalismo aberto’’, com a qual pretendem encarar as mudanças nas relações internacionais, e fazem questão de frisar que o Mercosul deve ser um ‘‘efetivo instrumento para o progresso econômico e social dos povos para enfrentar desafios no sistema internacional’’.
A carta foi divulgada à tarde, após o encerramento da 18ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, com a presença de Chile e Bolívia. A reunião foi realizada no Palácio San Martin da Chancelaria Argentina.
Estiveram na reunião os presidentes Fernando Henrique Carsoso (Brasil), Fernando de la Rúa (Argentina), Luiz González Macchi (Paraguai) e Jorge Battle (Uruguai), assim como seu colega chileno, Ricardo Lagos. O chanceler boliviano, Javier Murillo, representando o presidente Hugo Banzer. Também participou da reunião o representante de Política Exterior e Segurança da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, que antes tinha se reunido a sós com De la Rua.
Depois das duas horas e meia de reunião, os presidentes ratificaram a decisão de fortalecer o bloco. Fernando Henrique e de la Rua concordaram que os países do acordo devem resolver seus problemas com ‘‘mais Mercosul’’, enquanto Gonzalez Macchi pediu que ‘‘fizessem frente, de uma vez por todas, à realidade das assimetrias das economias’’ dos sócios.

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