Países de renda média, como o Brasil, vão ter crédito limitado
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Das agências De Praga 
O Banco Mundial centralizará esforços em prol da redução da pobreza e resistirá a conceder créditos a projetos que possam receber financiamento privado nos países de renda média, entre eles os da maioria da América Latina e do Caribe, anunciaram os ministros das finanças do mundo, em Praga.
Essa direção foi aprovada no Comitê de Desenvolvimento, que orienta as políticas do Banco Mundial, completando os debates que antecedem à assembléia anual conjunta do BM e do Fundo Monetário Internacional, que começará hoje na capital tcheca.
Segundo os ministros que fazem parte do Comitê, o BM deve suprir mas não substituir o financiamento privado nos países de rendimento médio, embora tenham reafirmado que a instituição deva continuar ajudando a reduzir os níveis de pobreza nessas nações, onde vivem a metade dos 2 bilhões e 800 milhões de pobres do mundo.
O banco deve, portanto, concentrar-se em fomentar o crescimento econômico através do setor privado nesses países, destacou um comunicado do comitê. Ao mesmo tempo, no entanto, os ministros pediram ao Banco Mundial que reveja suas políticas em matéria de interesses, comissões e outros custos indiretos de seus créditos, que consideraram muito altos.
Em um novo informe divulgado ontem, o Banco Mundial apontou que o acesso à educação, à proteção do meio ambiente, ao controle dos riscos financeiros e a uma administração pública honesta deve acompanhar necessariamente o crescimento econômico. Temos tentado ampliar o significado do que é crescimento econômico, explicou o economista principal do Bird, Nick Stern. A resposta é que a quantidade e a qualidade devem andar juntas, não em sequência, afirmou Vinod Thomas, coordenador do estudo. Se até agora se dizia que o bolo deveria crescer para depois ser repartido, o Bird parece estar aconselhando uma política mais equilibrada.
Uma característica surpreendente do informe é que fazia referência a novos estudos que mostram que os países poderiam duplicar sua renda per capita melhorando a qualidade dos seus sistemas jurídicos e combatendo a corrupção, explica o release que acompanha o estudo. Uma criança que nasce no mundo desenvolvido de hoje em dia pode esperar viver mais 25 anos, e ser mais saudável, mais instruído e mais produtivo que (...) há 50 anos, explica o informe. Apesar disso, um exame mais detalhado revela que hoje pelo menos 100 milhões de pessoas a mais do que há uma década vivem na pobreza e o abismo entre os ricos e pobres está aumentando.


