'País vive situação de pleno emprego'
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sábado, 09 de fevereiro de 2013
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - A economia brasileira vive hoje uma situação de pleno emprego, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fernando Barbosa Filho. Isso apesar de o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) ter mostrado mais desemprego em janeiro.
No primeiro mês do ano, o ICD, que corresponde à variação das taxas de desemprego entre dois meses, avançou 2,7%. Em dezembro, a taxa foi de -2,4%. A elevação do porcentual indica mais desemprego. A afirmação do economista também contraria a interpretação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não reconhece o pleno emprego. Ele explicou que em dezembro, a taxa de desemprego diminui com as vagas temporárias de fim de ano e com a economia aquecida devido ao pagamento do 13º salário. Em janeiro, há muitos temporários que não são efetivados e mais pessoas estão dispostas a procurar emprego.
Apesar do resultado, Barbosa disse que não foi observada nenhuma grande tendência de mudança no mercado de trabalho, que permanece em expansão. ''O mercado continua aquecido. A pequena elevação (da taxa de desemprego) observada em janeiro (do ICD) é fruto só do início do ano'', salientou.
Ele acredita que em 2013 ocorra uma redução da taxa de desemprego no País, que em 2012 ficou em 5,5%. Os setores que mais devem responder pelas contratações são serviços e comércio.
O economista da FGV argumentou que os salários estão crescendo acima da produtividade, o que comprovaria um cenário de pleno emprego. ''Isso vai gerar problema para as empresas. O mercado só pode responder jogando gasolina na inflação. A tendência é que a pressão nos preços de serviços devido ao mercado de trabalho apertado continue. A indústria não deve ter refresco do mercado de trabalho neste ano'', afirmou.
A pressão do trabalho sobre as empresas e também sobre a inflação é uma consequência inevitável a ser assumida pelo governo, disse Barbosa. ''O Tombini (presidente do Banco Central) e o Mantega (ministro da Fazenda) têm leituras opostas sobre o mesmo fenômeno (inflação). Eles têm que se entender sobre a política'', alertou o economista do Ibre/FGV.
O professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e conselheiro do Corecon-PR, Carlos Magno Bittencourt, disse que o setor de serviços é o carro-chefe da geração de empregos, o que é uma tendência das economias desenvolvidas. ''Com a ascensão das classes sociais, as pessoas usam mais serviços como lavanderia e salão de beleza'', disse.
Para ele, o ICD de janeiro é preocupante porque mostra arrefecimento da economia interna. Com isso, o mercado fica em compasso de espera e os empresários não contratam e não realizam novos investimentos.
Bittencourt acredita que com novas medidas do governo para incrementar a economia pode diminuir o desemprego. Ele disse que o governo vai ter que desonerar os impostos de alguns setores e a folha de pagamento. Caso o Banco Central resolva aumentar os juros na próxima reunião marcada para o final deste mês, ''sinalizaria que o governo perdeu o controle da inflação''. (Com agências)



