O temor do retorno da inflação galopante, que arrasou a economia do país no fim da década de 80, é a principal razão da criação do regime cambial misto. Desvalorizada logo de início, uma das taxas será mantida fixa em médio prazo - até que os indicadores macroeconômicos apontem a possibilidade de sua flutuação, sem riscos de impactos nos índices inflacionários. A taxa que flutuará de imediato vai reger operações consideradas pelo governo como ‘‘menos importantes’’, como a compra de dólares por pessoas físicas para viagens ao exterior.
A desvalorização ainda vai levar o governo a definir novas regras para os
contratos atualmente em dólares, como os aluguéis de residências e de pontos comerciais. A equipe econômica também deverá renegociar com as concessionárias de serviços públicos – as de telefonia, principalmente – novas fórmulas para a definição das tarifas, hoje vinculadas ao dólar.
O governo argentino pretende segurar o processo inflacionário com a adoção de um programa de ajuste fiscal mais profundo. Segundo De la Sota, o orçamento nacional para 2002 traz a obrigação de o ano fechar com superávit nas contas internas. A regra anterior - a política de déficit zero, que fracassou - era a do equilíbrio fiscal. Com a economia ainda em recessão, o novo regime fiscal deverá se concentrar mais no corte de gastos públicos que na elevação da arrecadação de impostos.

mockup