País vai vender frutas para o Japão
O Japão decidiu importar mangas brasileiras já neste trimestre. O Brasil acertou a abertura das exportações de mangas para esse poderoso mercado, após uma negociação que se prolongou por sete anos. A presença de frutas brasileiras nas refeições das famílias japonesas é uma conquista comemorada no Ministério da Agricultura. Ter o Japão como comprador de mangas, uva Itália e outros itens é a garantia de outros futuros negócios de exportação de nossa agropecuária, disse à Agência Estado o secretário nacional de Defesa Agropecuária, Ênio Marques Pereira. As frutas brasileiras - produzidas nos três Estados do Sul, em São Paulo ou no Vale do São Francisco - são de qualidade e merecem maior espaço no Primeiro Mundo. No início, segundo Pereira, serão vendidas apenas algumas centenas de caixas de mangas para o Japão, mas, com o tempo, a fruta garantirá milhões de dólares na balança comercial. No embalo da manga, País deve se preparar para vender maçã, produzida na faixa de transição climática do Paraná e Santa Catarina.
Até semanas atrás, o Japão fazia restrições à manga brasileira. A explicação era de ordem fitossanitária: técnicos japoneses discordavam do sistema colocado em prática no Brasil para livrar a manga dos riscos provocados pela mosca da fruta. Enquanto o Japão defendia o uso de substâncias químicas sem contra-indicação, o Brasil insistia no lado positivo da utilização de água quente para lavar a manga antes de colocá-la em caixas especiais. Uma missão de agrônomos, sanitaristas e empresários de Tóquio esteve em Brasília, em dezembro, e acabou concluindo que a fórmula brasileira é eficaz para banir a ameaça das moscas à saúde humana.
Mercado exigente Apesar de sua grande área, com clima favorável, o Brasil ainda está longe de ser uma potência da fruticultura como o Chile, mas a tendência é melhorar. O Chile ganha dez vezes mais dólares que o Brasil na venda de frutas para os Estados Unidos, Europa e Japão: em 1997, o total das exportações de pêssegos, nectarinas, ameixas, uvas e cerejas chilenas alcançou US$ 1,47 bilhão, ante apenas US$ 110 milhões obtidos com frutas brasileiras.
O Japão é um mercado exigente, que costuma recusar alterações genéticas dos produtos agropecuários, mas tem um grande potencial para o consumo de frutas tropicais. A manga alcança excelente aceitação como sobremesa e como matéria-prima para doces. No Brasil, a manga e o abacate são usados no tipo Califórnia do sushi, uma fórmula ocidentalizada da culinária oriental, que é ignorada pelos japoneses.
A cada ano, os japoneses importam um volume de quase US$ 2 bilhões em frutas e legumes de vários países, entre os quais os Estados Unidos, Canadá, China, Espanha, Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Índia e Israel. O Brasil, que já vendia abacaxi para o Japão, entra agora com a manga, mas também poderá exportar, nos próximos meses, laranja, banana e outras frutas.
A manga é uma fruta originária da China, mas consolidada no Brasil. Ao chegar ao mercado japonês, a manga brasileira mostrará sua grande vantagem, assegurada pelo clima quente e pela terra fértil do País: o excelente sabor. As mangueiras crescem com facilidade na região tropical, onde asseguram frutas com polpa doce e de poucas fibras.
Os Estados que mais produzem, pela ordem, são Minas, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, São Paulo, Sergipe e Paraná. O Vale do São Francisco, no Nordeste, tornou-se importante pólo produtor.
A manga comum, que aparece até em árvores de beira de estrada, ganhou a companhia de variedades de maior qualidade, como a Bourbon, Rosa, Tommy Atkins e Hadem, que valorizaram pomares paulistas e mineiros nas décadas de 70 e 80.ArquivoManga, uva Itália e até maçã podem entrar no mercado japonêsLuiz Carlos Ramos
Agência Estado





