País vai subsidiar álcool anidro
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Inês Figueiró Agência Estado 
O governo vai subsidiar a importação de álcool anidro. No final da semana passada, ele autorizou a utilização de R$ 19,7 milhões de recursos da Parcela de Preços Específicos (PPE) para cobrir a diferença do custo entre o preço externo e interno do álcool anidro que poderá ser internalizado. Trata-se de subsídio, afirmou o consultor Pedro Robério Nogueira, diretor da PR Consultoria e Assessoria.
A mesma avaliação é feita por outras fontes do mercado. Para o analista Júlio Maria Borges, da Job Consultoria, as condições internas para a importação já foram dadas pelo governo seja através da redução da alíquota de importação para zero, seja através da liberação dos recursos da PPE e da flexibilização das qualidades exigidas para o álcool. Dados do mercado, indicam que o álcool anidro norte-americano custa em torno de 76 cents/litro, sem contar a despesa de frete. O produzido no Nordeste, também sem contar despesas, está cotado a 68 cents e o no Centro Sul, 70 cents/litro.
A Petrobras poderá adquirir 76 milhões de litros de álcool anidro de milho junto a Archer Daniels Midland Co. (ADM). O compromisso de compra, segundo fonte do mercado, já teria sido assumido pela estatal antes mesmo de o governo baixar a portaria zerando a alíquota de importação do álcool, conforme a portaria 418 do Ministério da Fazenda, baixada na semana passada.
A estatal informou, através de sua assessoria de imprensa, que não tem informação sobre esse assunto. No final da semana passada, o governo também autorizou a utilização de R$ 19,7 milhões oriundos da Parcela de Preços Específicos (PPE) para cobertura da diferença entre o preço externo e interno em caso de importação.
Dados do mercado ontem indicam que o litro do anidro na região Centro Sul estava saindo a 70 centavos, contra 76 centav os nos Estados Unidos (sem contar despesas com frete) e 68 centavos no Nordeste (livre de frete), outra possível fornecedor para o Centro Sul. A região terá em estoque, durante a entressafra do Centro-Sul, um volume entre 300 e 350 milhões de litros.
Para o presidente da União das Indústrias Canavieras (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, a importação é desnecessária. As quantidades existentes no Centro-Sul e no Nordeste são mais que suficientes para garantir o
abastecimento, disse. O dirigente acrescenta que é um gasto desnecessário de dólar (divisas), pois o produto pode ser encontrado dentro das fronteiras brasileiras.
Há poucos meses, o vice-presidente sênior da ADM, Martin Andreas, declarou à agência Dow Jones que o Brasil estava procurando por um volume adicional de álcool de milho nos Estados Unidos, para evitar a escassez interna do produto na entressafra. Eles (disse, referindo-se a brasileiros, sem identificar nome ou empresa) nos ligaram para saber se poderíamos fornecer uma grande quantidade de etanol. Nós já fizemos uma venda e eles estão pedindo um volume adicional, afirmou o dirigente. Na época, Andreas não revelou o nome do comprador e garantiu que o governo não estaria envolvido na compra. A empresa foi procurada nos Estados Unidos pela AE, mas não deu retorno.


