ArquivoEXAGEROPrevisão foi superestimada, na opinião de produtores e usineiros BRASíLIA - O Brasil poderá exportar 5,385 milhões de toneladas de açúcar, no ano-safra 1997/98, que vai de 1º de maio deste ano a 30 de abril de 98. No ano passado, foram exportadas 5,2 milhões de toneladas. O volume foi divulgado ontem, no Diário Oficial da União, que publicou portaria do ministro da Indústria e do Comércio, estabelecendo o plano de safra de açúcar e álcool para 1997/98. A produção de álcool prevista é de 16,7 bilhões de litros após 14 bilhões no ano passado.
O secretário de Produtos de Base do MICT, Maurício Assis, disse que este crescimento na produção de álcool deve-se à maior produtividade da cana-de-açúcar, embora especialistas do setor considerem muito elevado o aumento previsto da produção de álcool. A produção total de açúcar para atendimento do mercado interno e de exportação foi fixada em 13,482 milhões de toneladas após 13,2 milhões de t na safra passada.
A portaria admite a possibilidade de importação de até 700 milhões de litros de metanol. Maurício Assis informou que, nas próximas semanas, deverá ser criada uma comissão interministerial incumbida de apresentar, no prazo de 60 dias, sugestões para desregulamentar o setor sucroalcooleiro. Se acatadas, tais sugestões poderão, até, levar à liberação total desse setor. Portanto, este poderá ser o último plano de safra a ser divulgado, contendo metas de produção de açúcar e álcool e cotas de exportação por usina.
O Plano de Safra 1997/98 divulgado ontem pelo MICT prevê a produção de 16,7 bilhões de litros de álcool, sendo 10,3 bilhões de litros de hidratado e 6,4 bilhões de litros de álcool anidro. A produção estimada para a Região Centro-Sul é de 14 bilhões de litros e para o Norte/Nordeste é de 2,7 bilhões de litros. As estimativas foram consideradas extremamente altas por produtores. O volume, que representa um crescimento de cerca de 20% em relação à safra passada, que atingiu pouco mais de 14 bilhões de litros, foi considerado muito alto por especialistas do setor.
Usineiros do Nordeste acham alta a previsão. Já os produtores de São Paulo não forneceram os números ao MICT para a elaboração do Plano de Safra. Eles preferiram se omitir por defenderem a liberação do sistema de cotas para a exportação de açúcar. Como o MICT alegou que legalmente o Plano de Safra ainda teria de ser feito com as cotas, São Paulo preferiu não individualizar o total de cada usina, deixando a distribuição a critério do Ministério. Os produtores observam que já estava previsto um crescimento da produção de álcool face à supersafra de cana-de-açúcar mas estranharam o total estimado pelo MICT que indica um aumento de quase 20% em relação à produção de álcool da safra passada.

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