País vai plantar menos soja este ano
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Da Redação 
A área ocupada pela soja na próxima safra de verão deverá registrar uma queda de pelo menos 7% no Brasil. A previsão foi feita ontem pelo diretor-presidente da Safras & Mercados, Silmar Muller, que fez a palestra de abertura - Desafios e Soluções para o complexo Soja no Brasil -, do Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja) . O evento prossegue até o dia 20 de maio, quinta-feira.
Muller afirmou que a redução deverá ser provocada pelos baixos preços da soja no mercado internacional. As cotações do grão na Bolsa de Chicago estão nos níveis mais baixos dos últimos 23 anos, segundo o consultor. Ele observou que os preços médios históricos do grão na bolsa ficam entre US$ 6,50/bushel e US$ 7,50/bushel. Enquanto os preços atualmente em Chicago estão em US$ 4,80/bushel Segundo Muller, só a ocorrência de um problema climático nas lavouras dos Estados Unidos, maior produtor do grão, poderá reverter este quadro. Caso contrário, os preços podem cair ainda mais. Ele prevê que os preços em Chicago podem chegar até os US$ 4,5/bushel. O consultor explicou que a pressão baixista é provocada principalmente pela crise asiática, que obrigou estes países a reduzir suas importações.
No Brasil, a situação só não está pior para o produtor por causa das mudanças no câmbio, mas isso irá refletir na próxima safra, afirmou. No entanto, o consultor observou que os atuais preços em Chicago inviabilizam a soja no Centro Oeste do País, onde a cultura registra os maiores índices de crescimento. O Paraná não sentiu tanto por causa de seus altos índices de produtividade, comentou.
Com a possível redução da área ocupada pela soja, Muller acredita que os produtores do Paraná deverão migrar para o milho. Os preços estão firmes e a tendência é de que os preços melhorem, comentou, observando que a demanda pelo grão no País é de 37 milhões de toneladas, e a produção está na casa dos 32 milhões de toneladas.
Transgênicos O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alberto Duque Portugal - que também participou da solenidade de abertura do CBSoja, disse que a tecnologia dos transgênicos tem grande potencial para solucionar problemas que afligem a humanidade. É preciso tomar cuidado para estigmatizar os transgênicos. É claro que há transgênicos e transgênicos, e nesta área a CTNBio é o fórum que vai dizer o que é bom e o que não é, comentou. Portugal disse que a Embrapa já trabalha com pesquisas com transgênicos em soja, milho, algodão, batata e feijão.
Portugal também defendeu em seu discurso uma participação maior da iniciativa privada na geração de novas pesquisas em órgãos públicos. Ele observou que em países como Estados Unidos, este tipo de parceria é comum. São grupos de produtores, indústrias que ajudam a financiar o desenvolvimento de novas tecnologias, disse.
O presidente do CBSoja, José de Barros França Neto, defendeu ontem na abertura do CBSoja a criação de uma associação de produtores agrícolas. Segundo ele, esta seria uma forma de os agricultores articularem junto ao meio político e também conseguir fundos para financiar pesquisas para o setor.


