País vai negociar cota de carne na OMC
Renato Andrade
Agência Estado
Apesar de contar com o apoio dos Estados Unidos para aumentar suas exportações de carne, o Brasil não terá uma cota específica para a carnes in natura para os Estados Unidos dentro de um curto espaço de tempo, como desejado pelo Ministério da Agricultura. A aprovação, por parte do governo norte-americano, do sistema brasileiro de controle de risco de doenças permitirá, inicialmente, que o Brasil dispute uma participação dentro da cota anual de 65 mil toneladas de exportações estabelecida para que alguns países possam vender as carnes frescas no mercado dos Estados Unidos.
Se o Brasil quiser uma cota específica, após a aprovação de suas exportações, ele terá de fazer como a Argentina e negociar esta cota durante a próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos, Richard Rominger. Ele já havia feito essa observação em recente reunião da Junta Interamericana de Agricultura, em Salvador.
O ministro da Agricultura do Brasil, Pratini de Moraes, insiste que o assunto deve ser tratado em negociações bilaterias e não durante a reunião da OMC - a Rodada do Milênio - que acontece a partir do fim de novembro em Seattle (EUA). Rominger, no entanto, considera a Rodada do Milênio como o ambiente perfeito para estas negociações.
Durante a reunião da OMC, nós manteremos diversos contatos com diferentes países e, com isto, nós poderemos balancear vários assuntos; mas é claro que as negociações serão feitas de forma bilateral, disse o vice-ministro de Agricultura dos Estados Unidos, que participou, em Salvador, dias atrás, da décima reunião ordinária da Junta Interamericana de Agricultura, evento promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (Iica).
Rominger lembrou que a única definição estabelecida pelo governo norte-americano é o volume máximo anual de exportações de carne fresca desta cota - 65 mil toneladas. O que chegar primeiro venderá primeiro, disse.
Rominger lembrou que, nos últimos dois anos, pouco mais de um terço da cota foi realmente exportado para os Estados Unidos. O sub-secretário para Assuntos Internacionais do Departamento Americano de Agricultura (Usda), James Schroeder, ressaltou que o governo brasileiro poderá buscar a definição de uma cota específica paralelamente à entrada na cota comum, caso tenha o sistema de controle aprovado pelo governo dos Estados Unidos.
Em contrapartida, Rominger afirmou que os norte-americanos irão querer uma maior colocação de trigo no Brasil. Temos outras classes de trigo que poderemos começar a exportar para cá, disse. Atualmente, os Estados Unidos exportam apenas trigo duro para o Brasil, numa difícil competição com a Argentina, que oferece condições mais vantajosas, dentro do Mercosul.
Subsídios A posição a ser defendida pelos Estados Unidos durante a Rodada do Milênio deve ser respaldada pelos demais países do continente americano. A opinião é de Rominger. Eu acho que a posição dos Estados Unidos em diversos assuntos será apoiada por outros países, lembra Rominger.
Entre as metas definidas pelo governo norte-americano para serem defendidas durante a reunião, estão a redução dos subsídios às exportações praticados pelos países da União Européia (UE) e o maior acesso aos mercados.
Rominger lembra, no entanto, que os países europeus e o Japão devem se posicionar contrários a esta idéia de reduzir os subsídios. A União Européia e o Japão não querem muito progresso nesta questão, frisou. Rominger lembrou que cerca de 85% de todo o subsídio existente no mundo para exportação de produtos agrícolas estão concentrado nos países europeus.
De qualquer forma, o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos lembra que as negociações no âmbito da OMC devem levar cerca de três anos para serem concluídas e outros seis a dez anos para a adoção das mudanças acertadas.
O interesse dos Estados Unidos, em termos de expansão de exportações, está concentrado no aumento da colocação de soja, milho, frutas e outros vegetais no mercado global de produtos agrícolas.Objetivo é aproveitar a boa imagem sanitária do rebanho nacional e fechar vários acordos, nos Estados Unidos e União Européia
ArquivoPRODUTO DE EXPORTAÇÃOBrasil quer conquistar mais espaço no mercado internacional da carne. Setor é competitivoPratini de Morais, que prefere negociações bilaterais





