Curitiba - O Brasil vai liberar as importações de trigo da Rússia. O acordo fitossanitário que abre o mercado brasileiro será assinado em 19 de fevereiro pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, e pelo ministro da Agricultura da Federação Russa, Nikolay Fedorov. A negociação entre os dois países já leva alguns anos e a abertura das importações para o comércio de trigo russo pode suprir uma carência que o Brasil tem em relação ao produto. O Brasil importa metade do consumo anual de trigo estimado em 10 milhões de toneladas e o principal fornecedor é a Argentina, que responde por cerca de 80% do suprimento.
De acordo com o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Cosam Coutinho, o momento atual é favorável à abertura do mercado para o trigo russo porque o Brasil zerou a alíquota de importação para o trigo de qualquer procedência até 30 de agosto de 2013, em virtude do risco de desabastecimento do mercado brasileiro. A medida aprovada nesta semana pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) isenta da taxação de 10% relativa à Tarifa de Exportação Comum (TEC) para até 1 milhão de toneladas de trigo comprado de países fora do Mercosul, no período de abril a julho deste ano.
O engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e responsável pela área de trigo, Hugo Godinho, acredita que a TEC tem mais peso que a abertura de mercado para a Rússia, em um primeiro momento. Segundo ele, os produtores brasileiros e paranaenses já têm trocado o trigo pelo milho em função do preço. Outro entrave para a produção do trigo são problemas fitopatológicos e as geadas.
Ele lembrou que a Argentina reduziu a área plantada em 2012 e com isso produziu 11 milhões de toneladas, sendo que nos últimos anos, este país tem somado uma produção de 15 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil precisará suprir esta necessidade de alguma forma. Os brasileiros também têm recorrido ao Canadá e aos Estados Unidos para suprir a demanda interna por trigo.
Segundo Godinho, a qualidade do trigo russo fica um pouco abaixo do produto canadense e americano. Caso o preço do produto da Rússia se mantenha nos patamares do Canadá e dos EUA, não vai afetar o mercado brasileiro e paranaense. ''Se o trigo russo for mais barato, pode diminuir a safra brasileira'', comentou. Tudo vai depender também do valor do frete para trazer o trigo da Rússia.
No ano passado, o Deral contabilizou uma safra de trigo de 2,1 milhões de toneladas com área plantada de 774 mil hectares no Paraná. Segundo Godinho, as estimativas para este ano devem ser divulgadas no final de fevereiro. O plantio da cultura começa em março com previsão de colheita entre junho e julho. Os grãos que ficarão no topo da lista de produção deste ano no Paraná devem ser o milho com 18 milhões de toneladas e a soja com 15 milhões de toneladas.
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, disse que ''infelizmente o governo está defendendo os interesses da indústria em detrimento do setor produtivo do Brasil''. Ele acredita que a medida do governo pode prejudicar a balança comercial e contribuir para o aumento da inflação porque o pão e outros derivados de trigo podem subir com o aumento da importação. (Com Agência Estado)

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