ArquivoTanque cheioEstabilidade econômica e facilidade nos prazos: o brasileiro gasta mais combustíveis RIO - Em 1997 os brasileiros deverão continuar consumindo mais combustíveis, repetindo o comportamento verificado desde 1994, quando o Plano Real foi implantado. Por isso a Petrobrás está prevendo gastar US$ 4,4 bilhões com a importação de petróleo, quase 5% a mais do que no ano passado. As estimativas foram feitas pelo departamento comercial da Petrobrás.
Contabilizando-se a receita obtida com as exportações, a estimativa da empresa é de que as despesas externas para atender o crescimento de 6% a 7% do mercado brasileiro chegarão a R$ 6 bilhões, a mesma quantia gasta em 1996.
As projeções preliminares da Petrobrás indicam que as importações médias diárias ficarão em 590 mil barris de petróleo, cerca de 4% a mais do que a média de 1996. Para compensar esse aumento da demanda a empresa conta com dois fatores: o aumento da produção média diária, que passará para 900 mil barris, e o da receita obtida com a exportação de derivados, que deverá crescer 14,2%, trazendo US$ 600 milhões aos cofres da estatal.
No ano passado, o aquecimento do consumo somado a uma elevação média de 18,8% nos preços do petróleo no mercado internacional, levaram a empresa a gastar R$ 781 milhões na compra de petróleo no mês de setembro, 200 milhões de barris a mais do que em agosto.
Essa necessidade de aumentar os estoques causou susto em Brasília, onde o Departamento de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio contabilizou um déficit de R$ 655 milhões na balança comercial de setembro, o maior do ano até aquele mês. Desde então, as planilhas de importação da Petrobrás passaram a ser atentamente acompanhadas pelos analistas econômicos.
Neste ano, o diretor comercial da Petrobrás, Percy Louzada, responsável justamente pelas compras externas, espera que os preços internacionais se mantenham altos pelo menos até o fim do rigoroso inverno no hemisfério Norte. ‘‘Os preços lá fora continuam variando nervosamente e para manter o nível das importações a Petrobrás está se esforçando para aumentar a produção nacional, que deve chegar a 1 milhão de barris por dia no final do ano’’, diz Louzada.
Tendência O consumo médio de gasolina no Brasil aumentou 41,2% no período de 1994-1996, enquanto o de óleo diesel cresceu 8,8%. A tendência, segundo o diretor, é de manutenção desse aquecimento. No ano passado, os brasileiros consumiram 16,6% mais gasolina do que em 1995 e expectativa da Petrobrás é de que o mercado interno se manterá aquecido em 97.
Essa é também a opinião do vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Henrique Neves. Ele acredita, no entanto, que o comportamento do mercado em 1998 estará muito ligado à questão do crescimento econômico do País.
Na disputa travadas entre os derivados de petróleo, o dirigente do Sindicom prevê a vitória da gasolina sobre o álcool e do gás natural sobre o óleo combustível que é utilizado pela indústria. ‘‘Com o gasoduto Brasil-Bolívia, o gás vai deslocar o consumo de óleo combustível, principalmente no eixo Rio-São Paulo e nas cidades próximas ao gasoduto’’, prevê Neves.

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