As exportações brasileiras do complexo soja - grão, farelo e óleo - vão render ao País US$ 5 bilhões este ano. O crescimento em relação ao ano passado (US$ 4,3 bilhões) teve a variável cambial como fator importante. Apesar do bom desempenho, as exportações de soja este ano não foram recorde, como previam alguns analistas; em 1997 as exportações de soja, ajudadas pela redução da safra norte-americana, renderam US$ 5,7 bilhões.

A receita da soja não lidera apenas o agribusiness, que este ano deve exportar US$ 20 bilhões. Em saldo comercial líquido a soja lidera toda a pauta de exportação.

A exemplo das carnes e do milho, a soja embute poucos itens importados, apenas princípios ativos dos fertilizantes e defensivos, que não chegam a 8%. Portanto, a receita da soja não tem reversão cambial.

Os aviões, que o Brasil exporta, ao contrário dos produtos primários, contêm maior participação de componentes importados, que lhes reduzem a receita líquida.

Beneficiado pela redução de impostos como Cofins, ICMS e PIS, o grão de soja lidera as exportações. Apesar disso, o sacrifício às indústrias - que ainda mantêm capacidade ociosa - foi menor este ano operando com 62% da sua capacidade. É que a voracidade da China no mercado também diminuiu muito. No ano passado, as indústrias chinesas, apoiadas por política interna, desvirtuaram o mercado da soja, pagaram preços irreais pelo óleo, prejudicando também Argentina e Estados Unidos. O resultado dessa competição foi o fechamento de indústrias de extração no Paraná, por exemplo.

Aliviadas, mas ainda em situação de desconforto, as indústrias moageiras de soja não têm plano de expansão ou investimento em tecnologia no curto prazo. ''O último investimento foi em 1996'', lembra uma fonte da Associação das Indústrias Moageiras de Óleos Vegetais (Abiove), ressalvando, porém, que o parque moageiro instalado no país tem um grau razoável de automação e tecnologia, comparável aos de países desenvolvidos.

Além disso, o setor tem direcionado recursos para investimentos em logística, principalmente em transporte, sempre com o objetivo de reduzir custos.

Surpresa no óleo As indústrias esmagadoras ainda não fecharam os dados deste ano mas estão dando como certa uma redução no consumo interno do óleo de soja. Devem fechar o ano com cerca de 2,9 milhões contra 3 milhões no ano passado. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) confirma a tendência.

Apesar de altamente competitivo, o óleo de soja, com mais de 93% do mercado, cedeu lugar para outros óleos considerados de melhor qualidade, como girassol e canola, mais caros.

Contribuem para essa alteração a queda no poder aquisitivo de determinados extratos, a busca de óleos ''sem colesterol'' por parte de consumidores preocupados com a saúde e, com menor peso, o interesse do varejo cuja margem de lucro é maior nos outros óleos vegetais, ao passo que o óleo de soja tem preços bem ajustados e é objeto de promoção.

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