País vai exportar 20% de carne bovina
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domingo, 27 de maio de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
As exportações de carne bovina do Brasil devem saltar dos atuais 8% da produção para 20% da produção até 2004. Ainda é pouco, perto dos 60% da produção exportados pelo Uruguai, mas será um avanço que trará reflexos importantes, como a elevação do padrão de qualidade da carne brasileira, a maior profissionalização dos frigoríficos nacionais e a tendência de aumento da produção, com a consequente geração de emprego e renda e valorização dos profissionais da área.
A avaliação foi feita na sexta-feira, em Campo Mourão, pelo consultor José Vicente Ferraz, durante palestra sobre perspectivas e tendências para o Brasil no mercado mundial de carne. O tema abriu o 2º Encontro Regional de Integração Agricultura-Pecuária.
Sou um otimista, disse Ferraz. Mesmo com os casos de aftosa no Rio Grande do Sul, ele não tem dúvida de que a exportação brasileira terá crescimento este ano. Crescerá um pouco menos que o esperado, mas crescerá.
Ferraz justifica seu otimismo diante dos problemas vividos pelos europeus com relação à carne bovina (apenas a Inglaterra teve que exterminar 2 milhões de cabeças).
A Europa teve que se retirar do mercado e não tem condições de voltar num curto prazo, explicou o consultor. Segundo ele, os problemas com o gado europeu deixaram a população em pânico e houve queda no consumo. Mas esse consumo será retomado nos próximos meses, prevê.
Paraná sai ganhando O consultor disse que as perspectivas são boas para o Paraná e que os prejuízos maiores ficarão somente com o Rio Grande do Sul. Nos próximos 2 ou 3 anos o Rio Grande do Sul não recupera seu status de área livre da aftosa sem vacinação. As projeções de Ferraz, antes dos casos de aftosa do no Sul, eram que de exportações brasileiras iriam saltar de US$ 945 milhões, este ano, para US$ 1,6 bilhão em 2004. Vamos crescer muito.
De acordo com Ferraz, o Brasil está com uma oportunidade excelente de crescimento porque é o único país do mundo que tem disponibilidade de aumentar a oferta de carne mundial com preços competitivos. Temos a pecuária com o custo mais baixo do mundo, ressaltou.
Outro fator que pode ajudar o Brasil, na avaliação de Ferraz, é o déficit de carne bovina dianteira nos Estados Unidos. Trata-se da carne preferida dos norte-americanos, usada no hamburguer.
Os Estados Unidos precisam da carne brasileira, frisou o consultor. Segundo ele, a princípio o Brasil estaria fora desse mercado por causa da aftosa, mas não existe outro fornecedor. Ou os Estados Unidos vão ter que abrir uma exceção para o Brasil ou dar um aumento significativo no mercado interno deles para equilibrar a oferta com a demanda, prevê Ferraz. Os EUA importam carne dianteira e exportam traseira.
Para obter sucesso nas exportações, Ferraz diz que o País precisa superar alguns desafios, como melhorar a qualidade da carne, principalmente no aspecto sanitário, e fazer um marketing mais agressivo. Há, no entanto, um fator considerado preocupante. A carne bovina vem perdendo espaço no mercado mundial. Ela perdeu para as aves o posto de segunda carne mais consumida do mundo e já está ameaçada pelos peixes na terceira posição.
O Brasil está lutando para chegar em primeiro lugar em exportação num mercado que começa a micar. Isso é preocupante, admitiu Ferraz. A carne mais consumida no mundo é a suína. No mercado interno, a carne bovina ainda é a preferida, mas o consultor diz que nos próximos anos ela será superada pelo frango. A carne de frango tem a imagem de ser mais saudável perante o consumidor, além de ser mais barata.
Protecionismo disfarçado
Ao ministrar palestra ontem em Campo Mourão sobre as perscpectivas para as exportações de carne, o consultor José Vicente Ferraz criticou a discriminação do mercado internacional com o gado livre da aftosa com vacinação em relação aos rebanhos livres sem vacinação. Isso é um protecionismo disfarçado, disse.
Ferraz considerou impraticável a meta de tornar o Brasil inteiro como um país livre da aftosa sem vacinação. Como conseguir isso num país que tem um Pantanal e uma Amazônia?, questionou, lembrando que a aftosa também é transmitida por animais silvestres. Ele também lembrou que o Brasil tem fronteiras secas com Bolívia e Paraguai, que são problemáticas.
Para Ferraz, o Brasil precisa levar essa discussão aos fóruns internacionais para deixar de ser sempre um país de segunda categoria. Não há problema nenhum no fato do animal ser vacinado. Ele disse ainda que a recente polêmica com o Canadá mostrou o tanto que o mercado internacional joga sujo. Estamos sendo muito bonzinhos. Precisamos ser menos cordiais.


