A Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé) estima a safra de café para o ano-safra 98/99 em 35,2 milhões de sacas, acima da previsão oficial brasileira de colheita de 33,95 milhões de sacas de café beneficiado, divulgada pelo Ministério da Indústria do Comércio e Turismo (MICT) na segunda-feira (29), e abaixo dos 35,8 milhões da previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Os principais fatores atribuídos pela Abecafé para o crescimento da safra são as condições climáticas favoráveis, ‘‘ajudadas pelo fenômeno El Ni¤o no Brasil (com exceção do Espírito Santo e Bahia, que tiveram perda de produção devido à seca); recuperação da produção de cafezais afetados pela seca e geadas ocorridas em 1994; aumento da produtividade resultante de modernas técnicas de plantio; o ciclo bianual que se encontra favorável; e entrada em produção de novas lavouras’’.
A Abecafé considera a produção de café, de sua estimativa de 35,2 milhões de sacas, suficiente para atender à demanda pelo café brasileiro. A entidade trabalha com projeção de consumo interno da ordem de 12,5 milhões de sacas e exportação de solúvel de 3 milhões de sacas, que proporcionariam um excedente da ordem de 19,8 milhões de sacas. A entidade prevê exportação de café em grão entre 17 milhões e 18 milhões de sacas no ano-safra 1998/99. ‘‘Parte do excedente poderá ser usada na recomposição dos estoques em mãos do setor privado, que se encontram em níveis críticos na entrada da safra.’’
A estimativa da Abecafé é de que na safra 97/98 houve déficit de 4,05 milhões de sacas entre a oferta e a demanda de café, que foi coberto com a redução dos estoques públicos e privados. As vendas de café dos estoques oficiais, através dos leilões, somaram 2,6 milhões de sacas. ‘‘Por dedução, os estoques privados precisariam ter sido reduzidos em 1,45 milhão de sacas no mesmo período para atender ao restante da demanda’’.
A Abecafé trabalha com números preliminares de demanda pelo café brasileiro na safra 97/98 (jul/97 a jun/98) da ordem de 26,1 milhões de sacas, entre exportação (14,2 milhões de sacas) e consumo interno (11,9 milhões de sacas), contra uma produção estimada pela entidade em 22,05 milhões de sacas. ‘‘A escassez do café brasileiro, devido à pequena safra 97/98, provocou retração de 14% nas exportações de café verde e de 7% nas exportações do solúvel, em comparação com o ano-safra anterior.’’
Em sua análise, a Abecafé cita números do Conselho Nacional do Café sobre estoques nas cooperativas brasileiras, que somavam 850.395 sacas no final de maio/97 e eram de 712.090 em maio último, com redução de 139.305 sacas. ‘‘Esses dois meses marcaram os menores estoques em mãos das cooperativas desde o começo da divulgação dessas estimativas e indicam que os estoques privados no começo da safra 97/98 estavam reduzidos a níveis muito baixos.ArquivoOtimistaA colheita deve ser abundante, mas os exportadores costumam superestimar as previsõesVenilson Ferreira
Agência Estado

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