O Brasil abriu, ontem, o primeiro leilão público via internet para operações de venda e troca de títulos da dívida externa. A oferta mínima do leilão será de US$ 1 bilhão em papéis com prazo de 40 anos. Metade da emissão poderá ter o objetivo de captar dinheiro, enquanto o resto deverá ser destinado à troca de papéis antigos por novos. O novo título é o mais longo oferecido pela República até hoje. A partir do 15º ano, os novos bônus terão opção de recompra. Ou seja, quem adquirir o papel poderá revendê-lo, no futuro, para o governo brasileiro.
As informações foram distribuídas ontem pelo consórcio de bancos que lidera a operação e é formado pelo Morgan Stanley, o Chase Securities e o Goldamn Sachs. O leilão será encerrado na próxima 4ª feira, dia 9, às 3 da tarde de Nova York. No leilão, os investidores poderão oferecer qualquer dos sete tipos de bradies mais o chamado Exit Bond, um título da dívida externa renegociado antes dos bradies.
Esta é a sétima operação de lançamento de bônus que o País faz no mercado internacional este ano. Do total, porém, este é o quarto global. Ou seja, o mercado de lançamento é o de dólar, mas o título pode ser adquirido por investidores de todo o mundo.
De todas as operações, esta é a terceira destinada à troca de títulos antigos por novos. Nas outras duas, houve limitação a cinco tipos diferentes de bradies. Somente os chamados Front Loaded Interest Rate Bonds (Flirb), papéis que pagaram juros mais altos imediatamente após o lançamento, e os Elegible Interest (EI), que são bônus de juros, constaram das duas operações de troca já efetuadas.
Do total de US$ 43,3 bilhões emitidos em ‘‘bradies’’ em 1994, o Brasil ainda tem um saldo de aproximadamente US$ 31,7 bilhões no mercado. Antes da reestruturação da dívida brasileira, vários países em desenvolvimento já estavam trocando a dívida externa com base em um programa desenvolvido pelo ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Nicholas Brady, que previa a reestruturação da dívida com desconto.
Enquanto vários países, dentre eles México e Argentina, trocaram a dívida por dois tipos de bradies, o Brasil optou por sete títulos diferentes. A explicação no Banco Central é que o governo brasileiro tinha uma dívida muito alta e quis evitar a concentração desta em apenas dois tipos de bônus. Qualquer instabilidade no mercado poderia provocar danos ao País, afirmou um técnico. Os bradies são: Capitalization Bond (bonus de Capitalização ou C-Bond), o Debt Conversion Bond (Bonus de Conversão de Dívida), Discount Bond (Bonus de Desconto), EI, Flirbs, New Money Bond (Bonus de Dinheiro Novo) e, ainda, os Par Bond (Bonus ao Par).

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