País tributa errado, diz especialista
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sábado, 11 de novembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
O sistema tributário brasileiro está distorcido, pois tributa em excesso tanto a pessoa física como a jurídica. Isso não ocorre nos países industrializados, onde se opta por tributar mais uma das cadeias a produtiva ou a de concentração de renda. Consertar essa distorção, ou seja, reduzir a carga tributária sobre as empresas, provocaria aumento no número de empregos, melhores salários, maior arrecadação tributária e redução no preço dos produtos.
Com mais pessoas recebendo salários e com produtos mais baratos, haveria aumento do consumo. Isso levaria as empresas a contratar mais pessoas, pagando melhores salários. Consequência: maior receita tributária.
Essa seria uma solução, segundo a tributarista Elisabeth Libertuci, do escritório Afonso & Libertuci Advogados, para o governo arrecadar mais e obter os recursos necessários cerca de R$ 3,7 bilhões estimados para o pagamento do salário mínimo de R$ 180.
Ela diz que no Brasil, ao contrário do que ocorre nos países industrializados, a carga tributária é muito alta tanto sobre as empresas como sobre as pessoas físicas. Tributar demais os dois lados é um atraso. O sistema ideal é aquele em que a cadeia produtiva tem carga tributária menor e a renda, maior. Outra opção seria cobrar mais das empresas, mas reduzindo a carga fiscal sobre as pessoas físicas. Nesse caso, pagando menos IR na fonte, o resultado seria um salário maior no fim do mês, propiciando mais condições para o consumo.


