País teve taxa de expansão nula até junho
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Agência Estado 
A economia brasileira teve uma taxa de crescimento praticamente nula no primeiro semestre. Os cálculos ainda não estão fechados, mas Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido algo entre zero e 0,5%, segundo admitiu ontem o secretário de Política Econômica, Amaury Bier, em entrevista à Agência Estado. Mesmo assim, ele acredita que a economia fechará o ano com uma expansão em torno de 2%. Para 1999, a taxa de crescimento nominal esperada é de 4%.
O primeiro semestre não foi diferente do esperado, disse o secretário. Ele explicou que, em função das medidas adotadas em decorrência da crise financeira internacional, entre elas a elevação das taxas de juros, o governo esperava que a economia tivesse um desempenho modesto nos primeiros seis meses do ano. A expectativa, porém, é de que a taxa volte a crescer neste segundo semestre.
Ele admitiu, no entanto, que o desempenho da economia em junho e julho ficou abaixo do esperado. Por isso, o governo adotou medidas para estimular o consumo, como a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 15% para 6% ao ano e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre os automóveis.
Ainda estamos avaliando o que aconteceu em junho e julho, disse. Não estamos certos quanto aos reais efeitos da Copa do Mundo na produção e no comércio. Bier lembrou que, no último trimestre de 97, a taxa de crescimento foi pequena, já em função dos efeitos da crise asiática. Teremos uma base de comparação baixa, disse ele. Por isso, será possível obter uma taxa de expansão do PIB elevada, mesmo se a economia não retomar um ritmo elevado de crescimento. Dessa forma, a expectativa do governo é que a taxa do último trimestre será em torno de 4%.
É esse efeito estatístico, decorrente de uma base de comparação deprimida, que permite projetar um crescimento de 4% em 99, segundo explicou Bier. Ao comparar a taxa média de crescimento de 99 com a de 98, surgirá uma taxa de crescimento elevada. Não será um crescimento exagerado, mas teremos uma expansão em torno de 4%, disse o secretário.
A premissa de que a economia crescerá 4% em 99 foi utilizada para calcular as receitas do governo central que integrarão a proposta de Orçamento para o próximo ano, que será enviada ao Congresso até o dia 31 de agosto. Bier não quis antecipar números, mas disse que o Orçamento conterá uma estimativa sobre os gastos efetivos do governo em 98, além de metas para as contas públicas em 99 - em reais e em porcentual do PIB. Acho importante ter uma meta em reais, porque ela elimina uma variável de distorção, que é o crescimento do PIB.
Ele reconheceu que a meta fixada para as contas do governo central, de um superávit primário de 0,8% do PIB em 98, não será cumprida. Não deverá chegar a isso, admitiu. O principal argumento da equipe econômica para essa questão é de que, quando o Orçamento de 98 foi elaborado, entre julho e agosto de 97, ainda não havia eclodido a crise financeira internacional.


