Ed Ferreira/AEImprevisívelOs secretários de governo Mendonça de Barros e Maurício Cortes, ontem: sem projeções sobre o comportamento da balança comercial para o exercício 97 A balança comercial do País registrou em 1996 um déficit (importações maiores que as exportações) de US$ 5,539 bilhões. O saldo negativo de dezembro foi recorde, com US$ 1,787 bilhão. Tanto as exportações (US$ 47,747 bilhões) como as importações (US$ 53,286 bilhões) foram recordes em 1996. Pela primeira vez também a corrente de comércio (importação mais exportação) rompeu a marca dos US$ 100 bilhões, fechando 1996 com US$ 101,033 bilhões.
As exportações em 1996 cresceram apenas 2,67% em relação a 1995 (US$ 46,506 bilhões), enquanto as importações aumentaram 6,88% no período. O déficit passou de US$ 3,352 bilhões em 1995 para US$ 5,539 bilhões em 1996. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, evitou ontem fazer previsão sobre o comportamento da balança comercial este ano.
Em dezembro, o saldo negativo bateu o recorde anterior que havia ocorrido em outubro de 1996 (US$ 1,3 bilhão), com as exportações chegando a US$ 3,789 bilhões e as importações atingindo US$ 5,576 bilhões. As compras externas em dezembro aumentaram 17% em relação ao mês anterior, novembro, e 42% em relação a dezembro de 1995.
Mendonça de Barros observou que a comparação de dezembro de 1996 com dezembro de 1995 tem que levar em conta a conjuntura econômica do final de 1995. ‘‘As medidas de contenção do crédito retraíram a economia no último trimestre de 1995, o que não aconteceu em 1996’’.
Na comparação com novembro, as importações de dezembro cresceram em todos os ítens, destacando-se combustíveis e lubrificantes (32,5%), bens de capital (28%), automóveis (27,9%) e bens de consumo duráveis (13,3%). A compra de combustíveis e lubrificantes saltou de US$ 547 milhões em novembro para US$ 725 milhões em dezembro. A compra de bens de capital (máquinas e equipamentos industriais) de US$ 1,222 bilhão para US$ 1,564 bi.

As exportações
cresceram apenas
2,67% em relação
ao ano anterior


Segundo Mendonça de Barros, é possível que o aumento das importações deveu-se em parte a antecipações de compras por medida de cautela das empresas, por causa do início de funcionamento, este mês, do sistema operacional de importações (Siscomex-Importação).
O secretário observou que, com receio de suas compras ficarem retidas devido a problemas no início da operação do sistema, muitas empresas tomaram esta providência. Em meses anteriores, o secretário chegou a creditar o mau desempenho aos estoques de petróleo, às compras antecipadas de Natal e até à lei de isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para exportações. ‘‘Algumas ‘tradings’ (empresas de comércio exterior) anteciparam as compras sabendo que o Siscomex seria mais lento nos primeiros dias de 97’’, disse o secretário.
Os dados oficiais divulgados ontem mostram que os itens que mais pressionaram as importações em 1996, em relação a 1995, foram combustíveis e óleos minerais (mais US$ 1,323 bilhão), e material elétrico, aparelhos de som e imagem (mais US$ 733 milhões). Foi significativa, ainda, a importação de máquinas e aparelhos mecânicos (mais US$ 733,395 milhões) e de cereais e produtos da indústria de moagem (mais US$ 437,873 milhões).
Em números absolutos, o item que mais pesou nas importações de 1996 foi o de máquinas e aparelhos mecânicos, com US$ 8,793 bilhões, seguido de combustíveis e óleos minerais, com US$ 6,904 bilhões, e material elétrico, aparelhos de som e imagem, com US$ 6,878 bilhões. A importações de cereais consumiram US$ 2,102 bilhões, instrumentos de ótica, fotografia, precisão e médicos-cirúrgicos, US$ 1,952 bilhão, algodão, fios e tecidos, US$ 980,3 milhões, adubos e fertilizantes, US$ 860,1 milhões, e produtos farmacêuticos, US$ 832,3 milhões.

RAIO X
DO DÉFICIT q O que é: as importações superam as exportações, fazendo o país perder dólares
q Por que acontece: no Brasil, porque o Plano Real desvalorizou o dólar em relação à moeda nacional, beneficiando importações para conter os preços internos e prejudicando as exportações
q Por que preocupa: torna o país mais vulnerável a uma crise de escassez de dólares, como a que vitimou o México no final de 94
q O que diz o governo: não há motivos para preocupações a curto prazo, porque o déficit comercial está sendo compensado pela entrada de investimentos externos de longo prazo
q O que teme o mercado: que o governo seja obrigado a conter o crescimento econômico para reduzir as importações, como em 95, quando houve falências, concordatas e até crise bancária

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