BRASÍLIA - Os planos das empresas interessadas em fabricar veículos no Nordeste, Norte e Centro-Oeste superaram as expectativas do governo. Um total de 25 grupos, com projetos de investimento de US$ 2,75 bilhões, se habilitaram junto ao Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) para instalar montadoras de automóveis, utilitários, motos, caminhões e máquinas agrícolas nas três regiões. Terminou no sábado o prazo para a habilitação.
Além de não cobrar Imposto de Importação na compra de máquinas e equipamentos e de reduzir em 90% esse imposto na importação de partes e peças, a lei dá às empresas habilitadas isenção no pagamento de Imposto de Renda, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Adicional de Frete da Marinha Mercante, PIS/Pasep e Contribuição para o Finsocial (Cofins). Os benefícios valem até 2010 e as empresas que não cumprirem as exigências de exportação e produção vinculadas à concessão dos benefícios estão sujeitas à multa.
Grandes empresas estrangeiras e nacionais se habilitaram. A japonesa Subaru, em associação com o grupo Vicunha (dos mesmos empresárioso que compraram a CSN e a Vale do Rio Doce), pretende investir US$ 150 milhões para fabricar 25 mil automóveis por ano, a partir de 1999, aproveitando um porto privativo da empresa para exportar carros, segundo informou o ministro Francisco Dornelles.
A Bahia, Estado de onde partiu a maior pressão política pela lei de incentivos para as três regiões, saiu beneficiada. Dos nove projetos para fabricação de automóveis, caminhões ou utilitários, três (que representam mais da metade dos investimentos previstos) foram para o Estado, entre eles os dois investimentos mais volumosos, de empresas coreanas: o da Asia Motors, que planeja destinar US$ 719 bilhões para produzir 60 mil vans por ano, a partir de 1999, e o da Hyundai (US$ 286 milhões, 20 mil vans anuais, a partir de 1988).
A Bahia também ficou com US$ 345 milhões, dos US$ 794 milhões em investimentos planejados por fabricantes de motocicletas habilitados pelo governo. Os outros investimentos se dividiram por nove Estados, a maioria em Goiás, Paraíba e Ceará. Este último deve ficar com um dos maiores planos de investimento, o da General Motors: US$ 160 milhões para fabricação do jipe Vitara, em associação com a Suzuki japonesa. O ex-presidente da Fiat, Pacífico Paoli, criou uma firma para fabricar motocicletas e lambretas na Bahia, com investimentos de US$ 140 milhões.
A Pontedera-Piaggio, um dos maiores fabricantes da Itália, fará triciclos na Bahia. A tcheca Skoda fabricará caminhões fora-de-estrada, para mineração. Só uma empresa teve recusado seu pedido de habilitação: a Alcoa, que pretendia estender para a região sua fabricação de rodas e passar a fabricar também carrocerias e alumínio. O projeto da empresa foi recusado com base na regra que impede a habilitação de empresa já beneficada por outro sistema de incentivos do governo. A Alcoa recebe incentivos do Befiex, de estímulo à exportação.

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