Arquivo FolhaIncógnitaO ministro Malan: ‘‘Ninguém está autorizado a antecipar quais serão os percentuais de redução dos juros’’Com um crescimento econômico que não deve chegar a 2%, o ano de 1998 deverá ficar entre os piores dos últimos 50 anos. A previsão nada otimista foi feita ontem, em Curitiba, pelo economista Luis Paulo Rosemberg, durante palestra a empresários e jornalistas promovida pela Associação dos Jornalistas de Economia e Finanças (Ajef). Para o economista, o País começa a mergulhar de cabeça na onda do desemprego que atinge a grande maioria dos países e pode bater recorde de demissões este ano.
Rosemberg aponta como fator de geração de desemprego a falta de uma política de controle do déficit público e não apenas a automação industrial, responsável por grande parte do desemprego europeu. ‘‘Nós quebraremos os recordes de desemprego da história recente brasileira e isso é muito doloroso, pois acaba com a dignidade da população’’, afirmou o economista. Ele disse acreditar até que a taxa de desemprego poderá ter reflexo no quadro sucessório.
Um dos adminsitradores do Fundo Linear de Investimento, Luis Paulo Rosemberg desfia um rosário de críticas contra a política econômica do governo federal. Segundo ele, o ano eleitoral vai contribuir para o adiamento de medidas necessárias à estabilização. ‘‘Este ano, o governo federal não fará nada para reverter o déficit público. Em outubro de 97, o governo se comprometeu a demitir 30 mil funcionários, mas depois avisou, com a maior cara de pau, que em ano eleitoral não fará qualquer demissão. Então, estamos pagando imposto para sustentar 30 mil dispensáveis, ociosos, vagabundos em Brasília’’, criticou.
Rosemberg lembrou que o governo brasileiro constumava poupar até 5% do PIB e hoje acumula um déficit de 5%. Estes 10 pontos percentuais de diferença representam a possibilidade de crescer de 2 a 3% a mais por ano. Com o ano de 98 ‘‘perdido’’, ele previu que poderá haver um crescimento econômico de até 3,5%, em 99. Os patamares similares aos da Argentina ou Chile, que têm crescimento de 7% no PIB, só serão atingidos pelo Brasil a partir de 2001.
O economista não aposta nem mesmo no aumento da exportação como instrumento único para reverter os índices de crescimento. Ele disse que o País está em recessão e que o setor de bens de consumo durável (venda de eletrodomésticos em geral e automóveos) é o que mais sofre.
Luis Paulo Rosemberg criticou ainda a forma como o governo está desvalorizando o câmbio. ‘‘Reduzindo 0,7% todo mês, o governo passa o certificado de que está errado. O câmbio tinha de ser desvalorizado imediatamente’’, opinou o economista. Ele disse ainda que se o governo tivesse acertado o câmbio antes da crise asiática, o País estaria com juros mais baixos, ‘‘crescendo mais rápido e com saldo comercial mais vantajoso’’.

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