Brasília - O Brasil poderá, até o fim de 2007, fazer parte do grupo de economias emergentes que as agências internacionais de classificação de risco recomendam como boas para investir, atingindo o chamado ''nível de investimento''. Essa avaliação do professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) Simão Davi Silber é endossada por representantes do mercado financeiro, diante do que eles chamam de ''ciclo virtuoso'' que se confirma com os recentes indicadores de retomada do crescimento econômico.
A ascensão do Brasil na escala de classificação das agências internacionais permitiria um aumento significativo de investimentos no País, já que os estatutos de fundos estrangeiros permitem um volume maior de aplicações em economias que têm essa nota e, portanto, são consideradas de menor risco. ''Em três anos é possível atingir o grau de investimento'', afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda.
Nos cálculos de Silber, se o País mantiver uma taxa de crescimento da produção nacional medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% e superávit primário (receitas menos despesas públicas, sem considerar os gastos com juros) equivalente a 4,25% do PIB, será possível reduzir a relação entre o endividamento público e o PIB para menos de 50% até o final de 2007. Atualmente, essa relação está em torno de 55% do PIB. ''Esse é um dos indicadores analisados pelas agências de classificação de risco'', afirmou Silber.
Outro indicador, destacou, é o tamanho da dívida externa frente ao total das exportações. Para ele, com o ritmo atual das vendas externas, que somam cerca de US$ 9 bilhões por mês, é possível fechar o período de 12 meses com exportações próximas a US$ 110 bilhões. Em 2007, ele projeta que esse total estará na casa dos US$ 140 bilhões.
Com isso, a comparação da dívida externa com o volume exportado pelo País, que atualmente corresponde a 2,3 vezes, cairá para 1 vez, afastando, segundo o economista, qualquer avaliação de risco de calote e reduzindo a volatilidade da economia brasileira, o que, segundo ele, permitirá redução do risco Brasil.

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