País terá investimento recorde em 2001
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Os investimentos em infra-estrutura previstos para 2001 devem ser recorde, ultrapassando os melhores anos que o País já teve. Será melhor que os anos de ouro do milagre econômico, prevê o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques, referindo-se a um período na década de 70, quando o Brasil mais cresceu.
Esse otimismo vem no rastro do ritmo de investimentos que estão sendo feitos este ano. Pelas projeções da Abdib, os empresários devem investir US$ 25 bilhões em projetos de infra-estrutura em 2000, o que será um desempenho muito bom já que os investimentos foram de US$ 20 bilhões em 1999. No primeiro semestre, 32 mil novos empregos diretos foram gerados e, até o fim do ano, mais 28 mil devem ser criados.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apurou um crescimento de 15,5% no volume de pedidos até o final do primeiro semestre, o que é mais uma evidência do retorno dos investimentos.
O comportamento da economia é o grande responsável por essa disposição de investir. Além da certeza da estabilidade, os empresários estão tendo acesso a fontes de financiamento externas. A retomada econômica garante também que os consumidores gastarão mais, gerando a expectativa de uma demanda futura maior do que a atual.
Um levantamento da consultoria Simonsen Associados, com base em informações sobre a intenção de investir que as empresas anunciam à imprensa, demonstra que 2000 já será um ano excepcional em investimentos. A previsão é de que US$ 237 bilhões sejam destinados a expansão da produção ou a novos investimentos. As privatizações ou as compras de empresas não são computadas. É uma montanha de dinheiro, disse Harry Simonsen, presidente da empresa e chairman do Comitê de Investimentos da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham).
No ano passado, com a crise gerada pela desvalorização do real, os investimentos foram de apenas US$ 98 bilhões, segundo a Simonsen Associados. Em 98 e 97 foram superiores a US$ 200 bilhões. Assim, Simonsen ponderou que parte dos investimentos do ano passado foram feitos neste ano, reduzindo o impacto dos US$ 237 bilhões. No início do ano, a consultoria imaginava que o País receberia US$ 112 bilhões em 2000.
O levantamento da Simonsen Associados confirma que o setor de infra-estrutura particularmente energia elétrica e petróleo é um dos líderes em crescimento em 2000. Mas não é o campeão. Mais uma vez, o setor de telecomunicações puxará o volume de investimentos. Até o primeiro semestre, eram previstos US$ 35 bilhões, além de US$ 5 bilhões para empresas ligadas à Internet. O segundo lugar fica com energia e petróleo, confirmando a Abdib.
Pela primeira vez, a consultoria detectou que o terceiro maior volume de investimentos deverá ser feito pelo varejo, principalmente shopping centers e redes de supermercados. A previsão é de US$ 15 bilhões. O varejo nunca esteve no topo da lista, disse Simonsen. No passado, o setor automotivo ocupava essa posição, mas, neste ano, caiu para o quinto lugar, com investimentos abaixo de US$ 9 bilhões, abaixo também do setor de metais.
Esse tipo de levantamento da Simonsen Associados implica em erros já que muitas empresas não anunciam nos jornais o que investirão. As que anunciam, ponderou Simonsen, podem reduzir as cifras ou espaçar o prazo. Este é o melhor indicador de antecipação, disse o consultor. À medida que uma empresa planeja investir, já está gerando algum tipo de investimento e empregos.
Nestes últimos quatro meses de 2000, os investimentos podem surpreender. Marques, da Abdib, espera um boom no setor de petróleo já que as empresas que ganharam a primeira rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo em 99 devem anunciar seus projetos. Pelo menos, novos US$ 2 bilhões devem ser acrescidos ao volume já previsto, segundo Marques. O crescimento anual de 6% na demanda por derivados de petróleo explica esse fôlego.
O investidor quer ter certeza de que as condições econômicas estão estáveis, mas também de que há uma demanda crescente pelo serviço, explicou Marques. Para 2001, ele espera investimentos substanciais na área de transportes, incluindo o público eletrificado. Sete capitais brasileiras São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza têm projetos neste setor.


