País tenta reduzir custo dos empréstimos do BID
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de março de 2003
João Caminoto 
Milão O Brasil está travando uma queda-de-braço com os países ricos dentro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para tentar diminuir os custos dos empréstimos concedidos pelo organismo multilateral aos países latino-americanos. Além disso, as autoridades brasileiras estão pressionado os países credores a aceitarem a criação de mecanismos que permitam ao Brasil sacar todo o seu estoque de créditos junto ao banco.
''O BID foi criado para ajudar os países latino-americanos a enfrentarem dificuldades econômicas'', disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega, que é o governador do Brasil junto à instituição. Segundo ele, os Estados Unidos vêm liderando um movimento que ''desestimula o caráter anticíclico'' do banco. ''Não podemos permitir que o BID fique mais parecido com um banco comercial.''
O Brasil irá gastar anualmente mais US$ 64,1 milhões devido à redução do desconto ('waiver') que o BID aplica sobre os juros cobrados de seus empréstimos. ''Justamente num momento que estamos promovendo esforços de cortes nos gastos, de austeridade fiscal, somos obrigados a desembolsar mais dinheiro para o banco'', afirmou Mantega.
O governo brasileiro possui um estoque de créditos de US$ 5,4 bilhões junto ao BID que não pode ser sacado, pois isso aumentaria a carga da dívida do país. Apesar de não poder mexer nesse dinheiro, o governo paga uma taxa de juros que incide sobre ele (''taxa de espera''). Numa reunião entre os governadores do BID, realizada anteontem, Mantega sugeriu que sejam encontradas novas formas para que o Brasil possa usar esses recursos.


