Brasília - O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, embarcaria ontem para Bruxelas com uma missão ambiciosa: a de tentar flexibilizar as normas impostas pela União Europeia para a exportação de carne e ampliar a aceitação do bloco econômico em relação a níveis mínimos de tolerância de contaminação de transgênicos. ''Os temas são muito importantes e queremos avançar nessa agenda, mas não sabemos o nível de avanço possível'', disse. ''Negociações internacionais não se fazem apenas em um ato. É preciso uma peça inteira de muitos atos'', acrescentou.
Para o ministro, as regras de rastreabilidade para o Brasil são extremamente restritivas. ''No passado, havia alguma razão para isso, mas agora deixaram de ser razoáveis'', comentou. Com a flexibilização, a expectativa é a de que o Brasil consiga cumprir a Cota Hilton, de cortes nobres. Dentro da cota, os cortes bovinos pagam tarifa de 20%. Fora dela, o imposto é de 12,8%, mas os exportadores ainda pagam mais 3.041 euros por tonelada. A fatia do Brasil na cota é de 10 mil tonelada, mas, desde julho do ano passado, só conseguiu exportar cerca de 10% desse total. ''O Brasil não consegue cumprir as especificações que impuseram'', disse o ministro. O setor produtivo está otimista em relação aos resultados da viagem porque esta é a primeira vez que um ministro trata do caso pessoalmente.
Rossi pressionará também a União Europeia a ampliar sua aceitação em relação a níveis mínimos de tolerância de contaminação de organismos geneticamente modificados, os transgênicos. Atualmente, essa tolerância é zero nos produtos exportados para o bloco e o que o Brasil pleiteará é um intervalo entre 0,1% e 0,2% de contaminação. ''Há certa sensibilidade para isso ser ampliado'', afirmou.
Ainda na viagem, o ministro tratará do caso da Diretiva 61, editada em 2008 e que exige uma lista prévia de propriedades habilitadas a fornecer gado para abate. O Brasil vai propor que a relação de fazendas autorizadas para exportar carne bovina à UE continue a existir, mas que passe a ser administrada pelo Ministério da Agricultura e não mais pelo bloco. Hoje, há 1,8 mil fazendas habilitadas para exportar ao bloco. ''Será possível aumentar o número da lista de propriedades que possam exportar para a União Europeia'', previu Rossi.

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