País tem o pior resultado em 17 anos
Agência Estado
De Brasília
As contas externas do País voltaram a piorar. Nos doze meses acumulados até agosto, o déficit em transações correntes foi de US$ 32,06 bilhões e bateu em 5,02% do Produto Interno Bruto (PIB) do mesmo período. Somente em 1982 o Brasil registrou resultado pior na relação com o PIB, com o déficit alcançando 6,02% do PIB no ano. O déficit chegou ao seu ponto máximo e a tendência agora é melhorar, garantiu ontem o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes.
Déficit em transações correntes em 12 meses até agosto atinge US$ 32,06 bilhões e bate em 5,02% do PIB
Ele explicou que este aumento do déficit em proporção ao produto nos doze meses ocorreu, principalmente, por causa da desvalorização cambial que levou a um encolhimento do valor do PIB em dólar. Em dezembro do ano passado, por exemplo, o déficit em transações correntes havia sido de US$ 33,6 bilhões, mas correspondia à parcela de 4,33% do PIB. Segundo Lopes, enquanto naquele mês o produto era de US$ 776 bilhões, em agosto estava em US$ 638,6 bilhões.
Mas o aumento do déficit registrado no período também foi consequente da piora do desempenho mensal das contas. Enquanto em julho havia sido de US$ 1,6 bilhão, no mês passado chegou a US$ 1,92 bilhão. A balança comercial foi o principal responsável por este resultado, pois havia sido superavitária em US$ 94 milhões em julho e voltou a ficar negativa em US$ 181 milhões em agosto.
Lopes destacou, entretanto, que a partir de setembro os resultados serão melhores. Isso porque os piores déficits em transações correntes no ano passado ocorreram exatamente nos últimos quatro meses. Estes resultados serão retirados do cálculo e substituídos por outros. Não teremos déficit iguais nos próximos meses, garantiu. Em setembro de 98, por exemplo, as transações correntes ficaram negativas em US$ 4,9 bilhões. No mês seguinte, o déficit foi de US$ 5,2 bilhões.
Montando um cenário otimista, o chefe do Depec lembrou que, em agosto, pela quarta vez este ano, o déficit em transações correntes foi superado pelos investimentos diretos, que chegaram a US$ 2,27 bilhões.
Até o último dia 15, já estavam em US$ 896 milhões. E no ano, totalizam US$ 20,8 bilhões. Até dezembro, os investimentos diretos deverão chegar a US$ 25 bilhões. Lopes comemorou ainda o fato de os empréstimos e financiamentos de médio e longo prazos terem praticamente sido iguais às amortizações no mês. Enquanto estas chegaram a US$ 2,43 bilhões, os empréstimos e financiamentos totalizaram US$ 2,28 bilhões.
A conta de juros, embora tenha apresentado uma ligeira retração no mês, ficando em US$ 801 milhões ante os US$ 925 milhões de julho, ainda é fonte de preocupação. No acumulado de janeiro a agosto, por exemplo, a despesa líquida com juros chegou a US$ 9,33 bilhões contra US$ 6,42 bilhões gastos no período do ano passado. Houve um aumento do custo da dívida e uma queda da receita, explicou Lopes. A receita de juros é derivada principalmente da aplicação das reservas internacionais que estavam em US$ 66,5 bilhões em agosto de 98 e, no mês passado, eram de US$ 41 bilhões.
Nos outros serviços, no entanto, o País está gastando menos dinheiro. As despesas com viagens internacionais (onde são computados os gastos com cartão de crédito feitos por brasileiros no exterior), por exemplo, continua em declínio. Em agosto, o déficit foi de US$ 147 milhões ante os US$ 162 milhões de julho. No acumulado do ano, o resultado está negativo em US$ 865 milhões. No mesmo período do ano passado, esta conta foi deficitária em US$ 2,6 bilhões. Na avaliação do chefe do Depec, a redução das viagens internacionais está levando a um aumento do turismo interno, o que pode gerar empregos.
As despesas líquidas com transportes ficaram em US$ 253 milhões em agosto e em US$ 1,79 bilhão no acumulado do ano. No mesmo período do ano passado, elas haviam sido de US$ 2,12 bilhões. Além de passagens aéreas, os transportes também englobam os fretes para exportação e importação. A queda nas despesas, portanto, tem sido provocada pela menor saída de brasileiros para o exterior e, ainda, pela queda das exportações.





