País tem maior taxa do mundo
O editorial da revista Conjuntura Econômica de maio, que circula a partir da próxima segunda-feira, pede maior rapidez na queda dos juros e diz que a manutenção das taxas nos níveis atuais é produto de um temor exagerado do Banco Central em relação à volta da inflação alta. A Conjuntura Econômica é editada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Segundo uma tabela publicada em apoio ao texto do editorial, os juros básicos no Brasil estavam em 16,52% em abril (em termos reais, descontada a expectativa de inflação) e eram os maiores do mundo, acima dos 14,30% do Chile, dos 11% da China e dos 10,43% da Turquia, os três países com taxas imediatamente abaixo da brasileira. De fato, só atividades criminais podem competir com taxas de rentabilidade financeira da ordem da brasileira, afirma o editorial.
A revista da FGV relaciona cinco aspectos como os determinantes das altas taxas de juros no país. O primeiro é o chamado risco Brasil , decorrente do temor dos investidores de que o governo mude as regras do jogo do mercado como fez no passado com o uso expedientes como expurgos e tablitas.
Depois vem o temor de que as taxas fiquem negativas e os investidores desloquem seus recursos para a compra dos chamados ativos reais (como imóveis), o que seria desastroso para o financiamento do déficit do setor público.
Sobre esse ponto, o texto diz que, com o rendimento da poupança fixado em 6% acima da inflação, e com uma expectativa de inflação de 15%, há espaço para as taxas caírem a 22% sem risco de fuga de capitais do mercado para ativos reais.
Os outros três pontos considerados pela FGV como causas da manutenção dos juros altos são a tributação sobre as aplicações financeiras; os altos percentuais de recolhimentos compulsórios ao BC sobre os depósitos à vista, a prazo e em cadernetas de poupança; e o elevado déficit público do País.
Após relacionar esses problemas, o texto da FGV justifica o ponto de vista da instituição de que os cuidados do BC com os juros estão exagerados. O trabalho diz que o Brasil está em vias de obter este ano um superávit nas contas públicas maior que o acertado com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
O texto acrescenta que o resultado deve vir tanto do aumento da arrecadação quanto da queda das despesas, o que é considerado um fator positivo a mais para estimular a queda dos juros.Otávio Magalhães/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Poder centralizadoArmínio Fraga, presidente do BC, segura a bandeira do Brasil: autoridade para baixar os jurosAgência Folha





