O nível de atividade da economia no terceiro trimestre foi o maior já registrado desde 1980, e aumentou 6,52% em relação ao mesmo período do ano passado. Este nível superou em 2,59 pontos porcentuais o alcançado no primeiro trimestre de 1995 que, por sua vez, foi o pico de crescimento após o Plano Real - na época, o governo tomou medidas de restrição ao consumo para frear crescimento, já que considerou que a estabilidade corria risco com o ritmo de expansão da economia.
Os dados foram apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE), ao divulgar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma do valor dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País - do terceiro trimestre. O último valor divulgado do PIB, relativo a 1995, é de R$ 658 bilhões.
Desta vez, o PIB do trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior (6,52%) cresceu menos do que o primeiro de 1995 em confronto com igual período de 1994, quando a expansão alcançou 10,47%. Isso quer dizer que a atividade econômica de julho a setembro foi menos intensa do que a experimentada no período de janeiro a março de 1995, porém, o tamanho da economia brasileira já supera o daquela época.
A coordenadora do PIB Trimestral do IBGE, Heloisa Valverde Filgueiras, disse que a economia este ano deverá fechar com uma expansão de 3,5% em relação ao ano passado, pois até setembro já havia acumulado uma alta de 2,10%. Trata-se, de acordo com ela, de uma taxa confortável e que não há evidências de que o crescimento esteja se tornando descontrolado.
Um exemplo é a indústria de transformação, cuja expansão, no confronto com o terceiro trimestre do ano passado, atingiu 8,07% - mas é preciso levar em conta que na base de comparação (o período de junho a setembro de 1995) a economia estava muito deprimida, como reflexo das medidas de contenção ao consumo tomadas pelo governo em março daquele ano.
No terceiro trimestre, em relação ao segundo trimestre, o PIB aumentou 2,73%. Neste caso trata-se de uma taxa com ajuste sazonal, ou dessazonalizada, o que significa que foram retirados do cálculos tudo o que é típico desses dois períodos, como entressafras, por exemplo. A indústria de transformação conseguiu ser expandir em 4,23% nesta base de comparação registrada. As instituições financeiras mostraram queda de 2,61% e a indústria extrativa mineral, uma redução de 1,83%.
A taxa anualizada do PIB, ou seja, a referente ao período de 12 meses findo em setembro, sofreu o impacto negativo dos últimos três meses de 1995 e, assim, subiu apenas 1,64%. O comportamento do PIB no quarto e último trimestre do ano vai depender muito mais do setor de comércio e de serviços do que da indústria e da agricultura, segundo Heloisa Valverde Filgueiras. Isso porque as encomendas à indústria para abastecer o mercado no final do ano já foram praticamente todas feitas, e na agropecuária, com a colheita da safra agrícola, pouco deverá ser acrescentado à economia.

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