O consultor Paulo Afonso Rodrigues, da Assessoria Financeira e Planejamento (Afiplan), disse quarta-feira durante palestra em Maringá , que vários setores da economia vêm enfrentando dificuldades devido a imperfeição das taxas praticadas pelo mercado financeiro.
‘‘O custo financeiro do Brasil é um dos maiores do mundo atualmente’’, afirma ele. Especialista em cálculos e verificações de operações bancárias nas áreas agrícola e comercial, Rodrigues diz que os bancos estão cobrando por serviços não prestados e não pactuados.
Rodrigues compara: antes do Plano Real, quando a inflação era de 40% ao mês, o cliente tomava empréstimos pagando taxas de até 25% acima da inflação. ‘‘Agora, até com deflação, os juros estão mais altos’’, afirma. Rodrigues compara que se a inflação for de 1% ao mês, o custo da empresa que pega empréstimo não poderia ser nem de 25% ao ano, mas em alguns casos passa dos mil por cento. ‘‘Os bancos têm cobrado taxas entre 300% e 400% acima da inflação’’, garante. Uma taxa de 15% ao mês, compara Rodrigues, dará mais de 400% ao ano.
Na Justiça Todos os clientes, mesmo médios e pequenos empresários ou produtores rurais, podem contestar a cobrança dos bancos. Segundo Rodrigues, a Afiplan faz um estudo completo dos extratos do cliente em todo o período, detectando as irregularidades nas operações financeiras e orientando o advogado contratado no caso de interesse de cobrança contra o banco.
‘‘Muitos produtores e empresários têm os bens penhorados de forma a garantir a dívida, mas conseguimos mostrar que o cliente pagou até mais do que devia ao banco’’, afirma ele. Existem ações em 14 Estados do país, e em boa parte a Justiça está acatando o pedido dos clientes, garante Rodrigues.Marcos NegriniJuros absurdosO consultor Paulo Afonso: custo financeiro mais alto do mundoMarcos Zanatta

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