País tem como manter a estabilidade monetária
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sábado, 29 de janeiro de 2011
Patricia Lara<br>Agência Estado 
São Paulo - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou, ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, que ''é preciso lidar com a bonança'' e que o Brasil possui as ferramentas necessárias para manter a estabilidade monetária. Segundo ele, o País está lidando com a questão a valorização cambial e a alta da inflação. O desafio duplo oficializa um diagnóstico já feito pelo mercado financeiro, que vê desafios para se equacionar essas duas metas. Mas Tombini disse que a inflação não é um ''grande problema'', pois há ferramentas para se lidar com ela.
Ontem, esse efeito colateral da ''bonança'' tem mais uma evidência. O IGP-M subiu 0,79% em janeiro, superando a mediana das projeções (0,75%). O dado poderia dar suporte aos vencimentos mais curtos, mas o discurso de Tombini deixa claro que a autoridade continuará buscando uma segunda via para não estimular o carry trade.
Com aceleração dos preços industriais e agrícolas no atacado e com os preços ao consumidor passando para a casa de 1%, o IGP-M de janeiro corrobora os sinais de persistência mais prolongada da inflação atual que bate no bolso do consumidor. No atacado, os preços dos produtos agrícolas subiram 1,27% em janeiro, ante 1,15%. E os preços dos produtos industriais também aceleraram, com aumento de 0,57% em janeiro, de 0,44% em dezembro. Na cadeia que mostra a transmissão desses preços, os bens finais subiram 0,08% em janeiro, em comparação com a queda de 0,46% em dezembro. No dado, o IPC-M apresentou alta de 1,08% este mês.
O discurso de Tombini repercute declarações anteriores de seu sucessor. Henrique Meirelles afirmava que ''o Brasil está pagando o preço do sucesso''. Mas, durante o final da gestão Meirelles, o estouro da crise do subprime nos EUA e suas consequências amplas deram uma ajuda no quesito preços externos, o que não ocorre agora, momento de estragos climáticos e de retomada de demanda em várias partes do globo. E ontem, uma autoridade do Ministério do Comércio da China afirmou que o país vai, provavelmente, expandir suas importações de commodities cujos níveis estoques nos armazéns do governo estejam baixos. No entanto, não deu detalhes sobre quais produtos serão comprados e nem sobre o timing da compra.
Além desse momento distinto, o mercado segue desconfortável com a ausência de coordenação do BC e da falta de clareza dessa forma de a autoridade monetária lidar com as pressões de preços. ''A ata não atingiu o objetivo primordial de dar pistas e fazer a ancoragem das expectativas. A ata traz uma série de incertezas. Mas tudo fica em aberto'', ponderou Paulo Rebuzzi, da Ativa Corretora, ressaltando, no entanto, que o documento foi bem escrito. Ele observa que, embora seja positiva a harmonia entre o Banco Central e outros entes do governo, o BC é guardião da moeda e a Fazenda tem outras atribuições.


