País tem baixo índice de qualidade
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Mariângela Herédia Agência Estado 
ArquivoFalta de estrutura para comercialização e baixo rendimento ainda são problemas para produtor e consumidor de leiteA produção de leite no Brasil ainda é primária; em alguns lugares, precária. O País tem um dos mais baixos índices de produtividade, apesar de possuir o maior rebanho comercial do mundo, com mais de 150 milhões de cabeças. Basta uma comparação com os parceiros do Mercosul para se ter idéia de como anda a pecuária leiteira no Brasil: enquanto as vacas brasileiras produzem, em média, 2,5 litros de leite por dia, as argentinas produzem cinco vezes mais (12 litros) e as vacas uruguaias têm média quatro vezes superior, com 10 litros por dia.
Preocupado com a situação e para tentar alterar esse quadro, o Ministério da Agricultura está desenvolvendo um programa de parceria com a iniciativa privada, que envolve ainda a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), numa tentativa de profissionalizar o produtor brasileiro de leite. Os baixos índices de produtividade, segundo especialistas, são causados por falta de manejo e preparo de pastagens nas áreas de produção do País.
O chefe do serviço de inspeção de leite do Ministério da Agricultura, Danilo Casotti, diz que no processo de globalização só vai conseguir sobreviver na pecuária leiteira no Brasil quem conseguir produzir, no mínimo, 700 litros por dia, com baixo custo. Ele diz que hoje existem muitos tiradores de leite, com pequena produção, que puxam a média nacional para baixo, fazendo-a ficar próxima de 100 litros de leite por dia, por produtor.
Consquências - A consequência disso é que um produto de baixa qualidade está chegando ao consumidor, pois não há controle sobre a maior parte do leite produzido no País, que é do tipo C. Do total de fazendas de pecuária leiteira no Brasil, apenas 100 produzem leite tipo A e 12 mil o leite tipo B. O resto produz leite tipo C, de baixa qualidade, e o sonho dos higienistas é que todo mundo chegasse pelo menos ao nível B, disse Casotti.
Nesta semana, o ministério está trabalhando no acompanhamento do transporte do leite no País. Desde 1952, explica o técnico, existe uma lei que obriga o transporte do leite resfriado, um dos fatores mais importantes para a qualidade do produto. Mas o que se vê ainda hoje são os tradicionais latões que expõe o leite a situações diversas, resultando num produto de qualidade inferior, diz.
Para o Centro-Oeste Um recente trabalho sobre a pecuária leiteira em Minas Gerais, publicado pela Federação de Agricultura do Estado revela que a produção de leite no Brasil caminha para o Centro-Oeste, puxada pela indústria de laticínios. Embora Minas ainda seja hoje o maior produtor de leite do País, com cerca de 30% dos mais de 16 bilhões de litros produzidos por ano, o estudo demonstra que no Centro-Oeste o custo é menor que nas bacias leiteiras tradicionais, em consequência do menor preço do milho e da soja, ingredientes básicos na ração concentrada para o gado. Os demais Estados não conseguiriam produzir leite com nível competitivo.
Além disso, Minas é o grande responsável pelas baixas médias da produtividade leiteira nacional, pois concentra a atividade em pequenas propriedades que produzem apenas 28 litros por dia. A média de produção do Estado é de 96 litros/dia por dia. Os produtores com mais de 250 litros por dia, segundo a pesquisa, são apenas 6% do total, embora respondam por 30% da produção.


