Arquivo FolhaMADE IN BRAZILCarregamento de açúcar sendo embarcado em Antonina: produto é o 3º na pauta de exportações agrícolas O Brasil passou da oitava para a sexta posição no ‘‘ranking’’ mundial dos principais exportadores de produtos agrícolas, graças ao bom desempenho das vendas externas do setor primário no ano passado. Em 1997, as exportações agrícolas atingiram US$ 18,8 bilhões, proporcionando um superávit da balança comercial do setor de US$ 11,7 bilhões, cerca de 26% superior a 1996 e 86% acima do saldo comercial agrícola de 1991. Para o economista Carlos Nayro Coelho, assessor de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, com algumas medidas de incentivo o Brasil poderia se transformar realmente no ‘‘celeiro do mundo’’, pois é o único país com extensas áreas agricultáveis ainda disponíveis.
Em trabalho denominado ‘‘O potencial agrícola brasileiro’’, Carlos Nayro Coelho revela que existem 80 milhões de hectares ainda virgens nos cerrados brasileiros. Terra suficiente para aumentar em nove vezes a produção de soja e milho (mais de 230 milhões de toneladas de soja e 320 milhões de toneladas de milho). ‘‘Dentro de uma perspectiva internacional, essa área corresponde a toda a área cultivada com milho, soja e trigo nos Estados Unidos, e com arroz, milho, trigo e soja na China’’, ressalta o economista. Carlos Nayro Coelho observa que, no comércio mundial de produtos agrícolas, os Estados Unidos ainda são, de longe, os maiores exportadores, com aproximadamente US$ 58 bilhões no ano passado, seguido dos Países Baixos, devido a sua posição de entreposto comercial da Europa, com pouco mais de US$ 40 bilhões, da França, com US$ 38 bilhões. Depois vem a Alemanha, Austrália e agora o Brasil, que conseguiu ultrapassar o Reino Unido e a Itália nas exportações agrícolas mundiais.
O economista Carlos Nayro Coelho, assessor de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, observa ainda que até meados da década de 70, a pauta brasileira de exportações foi praticamente dominada pelo café e pelo açúcar que, juntos, chegaram a contribuir, nos anos 50, com mais de 60% das vendas externas do País. No ano passado o café representou apenas 5,7% das exportações totais e 16,7% das exportações agrícolas. O complexo soja, por outro lado, que em 1970 contribuiu com apenas 2,3% da pauta brasileira, em 1997 passou a contribuir com 10,7% do total das exportações nacionais. Individualmente, o complexo soja é o item mais importante das vendas externas brasileiras. Contribuiu com quase 31% das exportações agrícolas no ano passado (US$ 5,7 bilhões), seguido do café com 16,5% (US$ 3,1 bilhões), açúcar com 10,1% (US$ 1,9 bilhão), fumo com 8,5% (US$ 1,6 bilhão), suco de laranja e outras frutas com 6,9% (US$ 1,3 bilhão), o complexo bovino (carnes e couro) com 6,4% (US$ 1,2 bilhão) e aves com 4,6% (US$ 876 milhões). Os demais produtos contribuíram com 24,5% (US$ 4,6 bilhões).
Os maiores países importadores dos produtos agrícolas brasileiros em 1997 foram os Países Baixos com 14,8% (US$ 2,8 bilhões), Alemanha com 5,1% (US$ 963 milhões), Bélgica com 4,6% (US$ 863 milhões), Japão com 4,5% (US$ 854 milhões) e a Itália com 3,7% (US$ 698 milhões).

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