Ken Warn
Financial Times
De Buenos Aires
A vitória de Fernando De la Rúa nas eleições presidenciais e a potencial retomada econômica argentina devem levar de volta os investidores ao país. O ponto central para essa decisão parece ser a força com que acontecerá a esperada recuperação.
Nos anos 90, a Argentina introspectiva, com um setor estatal ineficiente, foi transformada em uma economia mais aberta, ávida por desempenhar um papel nos mercados mundiais.
De la Rúa se posicionou como o candidato preparado para manter as reformas de liberalização do mercado, instituídas pelo presidente Carlos Menem, dando a elas uma face mais humana. Os eleitores o apoiaram, rejeitando a posição populista adotada pelo candidato peronista Eduardo Duhalde.
‘‘Nós achamos positivo o resultado da eleição’’, afirma Ricardo Cavanagh, da corretora Raymond James. ‘‘Houve uma votação forte de apoio à manutenção da conversibilidade.’’
José Luis Machinea, o principal porta-voz da Aliança para assuntos econômicos e provável ministro da Economia no gabinete De la Rúa, parecia estar preparando o terreno para medidas severas ao falar, na semana passada, sobre o risco de o déficit público chegar a US$ 10 bilhões no ano que vem. O fator crítico para os mercados – capaz de decidir o destino do novo governo – é a força da recuperação.
Dois cenários básicos surgiram até agora. O mais cauteloso é aquele em que a Argentina, prejudicada pela força de sua moeda e pela sua falta de competitividade na região, assume um crescimento anêmico em 2000.
Seria pouco provável que esse cenário despertasse entusiasmo entre os investidores estrangeiros. Isso ainda poderia complicar o desejo argentino de obter mais de US$ 17 bilhões para cobrir suas necessidades de financiamento no ano que vem.
No entanto, existe um cenário mais otimista, defendido por analistas como Walter Molano, economista da BCP Securities. Para ele, a reestruturação da economia ao longo da última década foi mais profunda do que muitos observadores crêem. ‘‘A Argentina está começando a exibir os primeiros sinais de uma revolução na produtividade que transformará o país’’, diz Molano.
Tradução de Paulo Migliacci

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