Brasília - O ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) defendeu ontem políticas adotadas pelo Brasil para incentivar a produção local de veículos e setores como de computação e smartphones. Ontem, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), a União Europeia questionou o Brasil sobre políticas adotadas para beneficiar a indústria nacional e dificultar o ingresso de produtos importados. Agora, os dois lados terão 60 dias para buscar uma solução.
"Estamos confiantes de que temos argumentos sólidos para demonstrar que estamos (adotando os programas) plenamente conforme as regras multilaterais de comércio internacional", disse o chanceler em coletiva de imprensa.
O ministro preferiu não fazer comentários sobre o momento em que esse questionamento ocorre: dias depois de a União Europeia pedir adiamento da data para troca de ofertas entre o bloco e o Mercosul para a criação de uma área de livre comércio. "Não quero fazer nenhum tipo de ilação sobre motivações ou impactos. Faz parte das regras um país ou um grupo de países buscarem os procedimentos da OMC para a solução de controvérsias", afirmou.

Acordo
O diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo, afirmou que espera que a disputa entre o Brasil e a União Europeia sobre setor automotivo possa terminar em acordo.
Azevedo participou de encontro com empresários brasileiros na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, ontem. Ele disse que foi informado sobre a disputa na quarta-feira, após chegar ao País.
Segundo ele, o processo correrá formalmente dentro da organização com a chamada do Brasil para iniciar uma consulta, uma espécie de negociação inicial, com a União Europeia.
Caso não haja solução nessa consulta entre as duas partes, começa um processo de contencioso onde a OMC dá uma decisão sobre quem tem razão. Segundo ele, a maioria das consultas feita pelos países não resulta em contencioso entre os dois países. "Mas cada caso é um caso", afirmou Azevedo.
O presidente da CNI, Robson Andrade, disse que foi dada oportunidade a todas as empresas para entrar na política industrial automotiva no País e não vê motivo para a disputa. "Todas as empresas que aqui estão são estrangeiras. Não tem muito sentido (a disputa)", afirmou Andrade.

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