País se previne contra vaca louca
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
As restrições à importação de carnes, animais, produtos e subprodutos de origem animal, anunciadas pelo Ministério da Agricultura, foram bem recebidas pelo mercado e pelos técnicos em Defesa Sanitária e Pecuária no Paraná. A medida adotada através da portaria 516 assinada no último dia 9, quer impedir a entrada no país da doença da vaca louca e outras doenças transmissíveis aos animais além de zoonoses. Para isso, haverá um controle rigoroso em todos os portos e aeroportos brasileiros exigindo a comprovação do atendimento das medidas de vigilância no país de onde o produto está sendo importado.
Para o médico veterinário Carlos Conti, chefe do Serviço de Inspeção Sanitária da Delegacia Federal do Ministéiro da Agricultura no Paraná, a medida é acertada porque protege o país do risco dessa doença exótica se manifestar por aqui. Ele acredita que outros países do Mercosul como Argentina e Uruguai também estão adotando medida semelhante com o mesmo objetivo de proteger seus rebanhos, que é a base da economia desses países.
Apesar de a doença da vaca louca estar restrita a países como Inglaterra e Irlanda, a declaração da União Européia de que rebanhos de todos os países do mundo estão contaminados pela doença provocou uma reação no Ministério da Agricultura, que elaborou a portaria. Ela restringe a entrada de animais vivos e subprodutos de origem animal, inclusive sêmen. E ainda proíbe o uso de qualquer fonte de proteína de ruminantes na alimentação, com exceção de proteínas lácteas.
Via sêmen O Brasil e os países do Mercosul importavam sêmem bovino da União Européia até o ano passado, mas pararam de importar apesar de admitir que ainda não foi comprovada a transmissão através de material genético. Leite em pó e produtos lácteos são os únicos produtos de origem animal que o Brasil importa da União Européia porque mesmo que a vaca tenha a doença, o leite não é contaminado, acreditam os técnicos.
O técnico do Deral e especialista em pecuária, Adélio Riberio Borges, concorda que a restrição à importação de carne e derivados de boi é acertada pela proteção ao rebanho brasileiro. Segundo ele, a doença da vaca louca é uma doença exótica que caso se manifeste aqui pode dizimar o rebanho nacional, porque os nossos animais não têm resistência contra ela.
Mercado Em relação ao mercado, Borges salientou que o setor não será abalado já que a tradição do Brasil é exportar carne para a União Européia e não importar. Atualmente, o Brasil exporta 300 mil toneladas, arrecadando US$ 400 milhões. O forte das importações brasileiras é proveniente da Argentina e do Uruguai, sendo quase nulas as importações da Europa, com exceção de material genético e leite e derivados. Mesmo com a restrição na importação de sêmem bovino, Borges também não vê grandes problemas porque uma parcela dos produtores nacionais já atingiu um bom estágio no processo de melhoria das raças.
A doença da vaca louca, a encefalopatia espongiforme tem uma ocorrência estranha aos técnicos porque não é provocada nem por vírus nem por bactérias. Mas sim por uma proteína que se aloja no osso do animal, e depois ataca o cérebro levando os animais à morte.


