País se beneficia com China na OMC
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segunda-feira, 12 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De Doha, Catar 
A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) vai beneficiar o Brasil em pelo menos três frentes. A primeira delas é própria abertura do mercado chinês. Com 1,2 bilhão de habitantes, dos quais 600 milhões são consumidores, a China terá de tratar todos os parceiros da OMC em igualdade de condições. Boa notícia para a agricultura brasileira, uma das mais competitivas do mundo.
O segundo benefício é que ao entrar para a Organização, a China também passou a fazer parte dos países que devem seguir as mesmas regras comercias e poderá ser questionada na OMC caso haja suspeita de que não as esteja cumprindo. A partir de sua entrada na OMC, que acontece em um mês, após a ratificação do acordo pelo Congresso, a China terá suas práticas de subsídios, dumping e pirataria vigiadas de perto. Por último, a competitividade chinesa pode ser atingida pelas regras da OMC, já que o ingresso na organização impõe deveres, como o combate à pirataria e a obediência a padrões mínimos de trabalho, que tendem a elevar os preços dos produtos chineses. Neste caso, o exportador brasileiro poderá ampliar suas exportações, conquistando eventuais mercados que a China venha a perder.
Depois de 15 anos de negociações sobre regulamentações comerciais e trabalhistas, a China finalmente foi admitida como o 143º membro da OMC (Organização Mundial do Comércio). A adesão, que já havia sido aprovada, foi oficializada sábado, durante sessão da Conferência Ministerial da OMC. ''Finalmente chegamos a esse momento histórico'', afirmou o ministro chinês do Comércio Exterior, Shi Guangsheng, em discurso.
O mercado chinês é cobiçadíssimo por todos os exportadores mundiais. Num primeiro momento, o Brasil vai concentrar seus esforços nas exportações de carnes (frango, bovina e suína). Para isso, estão organizando a visita de uma missão chinesa ao País para definir a questão sanitária que tem dificultado as vendas desses produtos no mercado chinês, segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima.
No setor de brinquedos, a própria estimativa chinesa mostra que a entrada na OMC elevará o preço do entre 8% e 12%. Conhecidos internacionalmente como assíduos praticantes da arte da cópia, ao entrar na OMC os chineses terão de adotar o Trips (tratado internacional de propriedade intelectual), que coíbe a pirataria. Ao mesmo tempo, a China terá de investir na criação de originais chineses, o que deve elevar o preço final dos produtos.
Neste ano, o Brasil é o nono maior fornecedor da China. Os números mostram que as relações bilaterais têm crescido. Em 1999, o comércio bilateral totalizou US$ 1,4 bilhão. No ano passado, cresceu para US$ 2,84 bilhões á o Brasil exportou US$ 1,62 bilhão e importou US$ 1,22 bilhão.


