Brasília - A balança comercial brasileira registrou mais um recorde. De janeiro a julho, o Brasil teve um saldo comercial superavitario em US$ 28,230 bilhões, o melhor resultado para o período na história. O desempenho positivo faz com que o governo mantenha uma expectativa de chegar ao fim do ano com um resultado entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões.
Com o fraco desempenho da economia brasileira, tanto as importações quanto as exportações caíram em comparação com o mesmo período do ano passado, o que explica o resultado comercial tão expressivo. No mês passado, as vendas ao exterior ficaram 3,5% abaixo daquelas realizadas em julho de 2015. Enquanto isso, a queda nas importações foi de 20,3%, na mesma comparação. Essa queda mostra que o brasileiro deixou de comprar produtos importados em maior proporção do que o Brasil vendeu menos para o exterior.
Na avaliação do diretor do departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, um dos fatores que influenciaram a queda das exportações foram os dois dias úteis a menos em julho de 2016 em relação ao ano passado: em 2015, o mês teve 23 dias úteis, enquanto que este ano, apenas 21.
Com um saldo superavitário de US$ 28,230 bilhões entre janeiro e julho, Brandão frisou que esse resultado recorde é fruto da redução da corrente de comércio, com destaque para uma queda maior das compras externas. "Importação está extremamente ligada à atividade econômica nacional", avaliou. As exportações somaram US$ 16,3 bilhões no mês, enquanto as importações foram de US$ 11,7 bilhões.
Para o economista Renan Martins, da MCM Consultores, apesar do superavit recorde, a balança comercial brasileira começa a mostrar sinais de enfraquecimento que deverão ser observados com atenção daqui para frente. "No começo do ano, a exportação vinha muito forte e a importação estava derretendo. Nos últimos dois meses, vemos que a exportação deu uma pequena virada e importação não vem caindo tanto, está resistente", disse.
Ele mantém a projeção de um superavit de US$ 55 bilhões em 2016, mas salienta que esta previsão já foi revisada para baixo há algumas semanas, quando estava em US$ 60 bilhões. "Com a valorização do câmbio nos últimos meses, podemos esperar que a importação avance um pouco, mas os números ainda não mostram esta tendência. É preciso aguardar", disse.
Mesmo com uma mudança no patamar do dólar, o governo continua confiante em relação a um resultado da balança comercial entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões no ano. "Continuamos na trajetória de um possível saldo recorde para o ano e acreditamos que a taxa média de câmbio de 2016 seja maior que a de 2015", disse Brandão.

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