Arquivo FolhaBarros e Cortes, do MICT: crise na Ásia pode afetar vendas externasAs exportações brasileiras durante as três primeiras semanas de janeiro tiveram média diária de US$ 185,4 milhões, valor quase 20% maior do que o registrado no mesmo período de janeiro do ano passado, informou ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Até o último dia 18, a balança comercial continuava deficitária, mas em proporção menor do que a registrada ao longo de 1997.
Na terceira semana de janeiro, as exportações atingiram US$ 963 milhões e as importações chegaram a US$ 1,143 bilhão. O saldo negativo de US$ 180 milhões elevou o déficit acumulado no mês para US$ 284 milhões. Nas três primeiras semanas de janeiro, as exportações chegaram a US$ 2.039 bilhões e as importações a US$ 2.323 bilhões.
O governo continua apostando que as exportações, que cresceram 11% em 1997 continuarão se expandindo este ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT), Maurício Cortes, o Programa Especial de Exportações, por meio do qual o governo passará a monitorar o desempenho exportador de setores escolhidos, será a ‘‘grande alavanca’’ do comércio exterior do País em 1998. A médio prazo, conforme já foi anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, a meta do governo é aumentar as exportações para US$ 100 bilhões até o ano 2002.
Cortes e Mendonça de Barros admitiram, entretanto, que a crise financeira que levou vários países da Ásia a desvalorizar suas moedas nos últimos meses deve tornar mais competitivas as exportações desses países. Isso pode prejudicar as vendas de produtos brasileiros para aqueles países e para mercados em que os empresários nacionais concorrem com os asiáticos, como os Estados Unidos. Mas o governo acredita que o efeito negativo sobre o comércio exterior brasileiro pode ser menor do que o que vem sendo estimado por muitos analistas.
‘‘A crise tornou mais frágil o sistema financeiro desses países’’, disse Maurício Cortes. ‘‘Isso vai dificultar a concessão de linhas de crédito para as exportações de suas empresas, o que limitará os ganhos de competitividade que eles posssam ter com a desvalorização de suas moedas.’’ Mendonça de Barros ponderou ainda que parte do ganho cambial dos países asiáticos poderá ser neutralizada pela inflação que a desvalorização das moedas vai provocar naqueles economias. ‘‘Essa questão precisa ser relativizada’’, argumentou.
Maurício Cortes disse que o maior prejuízo para o Brasil não vai ocorrer nas vendas feitas diretamente para os mercados asiáticos. Segundo ele, o grupo de cinco países mais afetados pela crise (Tailândia, Indonésia, Malásia, Coréia do Sul e Filipinas) absorve apenas 5% das exportações brasileiras. ‘‘O que preocupa é a maior presença que eles poderão ter em mercados em que somos concorrentes, como os EUA’’.
Cortes reconheceu ainda que a crise asiática poderá acirrar as disputas comerciais e aumentar o número de recursos a entidades como a Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a concessão de subsídios, barreiras não-tarifárias e outras práticas condenadas pelos tratados internacionais. ‘‘Um dos reflexos inevitáveis dessa crise é que os parceiros comerciais vão ficar mais alertas às regras do jogo’’, avaliou. Segundo ele, o Brasil também será ativo ao atuar para a remoção dos obstáculos que prejudicam as exportações brasileiras.
Outros fatores, segundo Cortes, deverão ter reflexo positivo sobre as exportações brasileiras em 1998. Ele lembrou que, apesar da crise asiática, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 3,5% para a economia mundial e expansão de 6,4% no comércio internacional neste ano. Além disso, os países da América Latina, o segundo maior mercado para as exportações brasileiras, devem continuar crescendo. O mesmo se prevê para a União Européia e os Estados Unidos, que, juntos, absorvem mais de 50% das vendas externas do País.

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