O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem em Paris que haverá uma nova redução nas taxas de juros, a ser determinada na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), no dia 15 de abril. Ele não disse, porém, de quanto vai ser a redução nem confirmou se as taxas voltarão aos níveis anteriores à crise asiática. Malan mostrou-se seguro diante da consequente redução dos investimentos estrangeiros. ‘‘Isto não será problema porque o Brasil já recuperou o seu nível de reservas internacionais’’, disse ele a empresários, durante almoço da Confederação Nacional do Patronato Francês (CNPF).
Segundo Malan, haverá diminuição da entrada de capitais também por conta das restrições que o Banco Central impôs na semana passada a aplicação dos recursos externos captados através da ‘‘63 Caipira’’. O BC agora exige a aplicação de 50% dos recursos no financiamento rural. Mas o ministro lembrou que o desestímulo pesará sobre os capitais de curto prazo. ‘‘Isto tudo não será um problema porque será crescente a entrada de capital de longo prazo’’, afirmou.
Nos 12 meses terminados em fevereiro, relatou Malan, os investimentos diretos no País somaram US$ 18 bilhões aproximadamente, o que financiou 58% do déficit em conta corrente. Este aporte de capital deve atingir de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões nos próximos dois ou três anos, ‘‘em estimativa conservadora’’, com privatização de setores como o elétrico e de telecomunicações.
Para Malan, o fato das taxas de juros terem caído por volta de 15% nas duas reuniões anteriores do Copom ‘‘não autoriza ninguém a imaginar percentuais’’ para a próxima redução. Na sua palestra, em inglês, o ministro confirmou a manutenção da atual política cambial, agora e no futuro, dizendo que não deverão ocorrer nem maxis nem medias desvalorizações do real. ‘‘O compromisso é manter a atual política nesse e no próximo governo, caso o presidente Fernando Henrique seja reeleito’’, afirmou.
O ministro procurou tranquilizar os executivos quanto ao aumento da dívida externa brasileira, hoje de US$ 193 bilhões, que ele considera ‘‘administrável’’. Malan lembrou que a maior parte da dívida foi reescalonada para os próximos 30 anos. A dívida de curto prazo, informou, soma US$ 35 bilhões e está ‘‘bem dividida’’: US$ 29,7 bilhões são dívida privada e US$ 5,3 bilhões são dívida pública.
A platéia da palestra na CNPF era formada por altos funcionários executivos, responsáveis pelos setores da América Latina ou Brasil, mas havia poucos dirigentes de empresas maiores, como Alcatel, Aerospatiale e Peugeot. Antes de falar aos empresários e executivos, Malan fez uma visita ao ministro francês da Economia, Finanças e Indústria, Dominique Straus-Kahn, e à tarde, ainda em Paris, encontrou-se com o presidente do Banco da França (BC francês), Jean-Claude Trichet.
Com ambos, o principal tema de Malan foi o desemprego. A Strauss-Kahn, Malan disse que gostaria que houvesse no Brasil um debate como o que existe na França, onde, segundo ele, há um consenso de que o desemprego é um problema estrutural, e não uma questão de curto prazo. Strauss-Kahn disse a Malan que 80% dos novos empregos na França envolvem contratos por tempo determinado.

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