O Brasil está recuperando a confiança dos investidores, e o ano que vem poderá não ser tão difícil como se chegou a imaginar há cerca de um mês. Esse foi, em linhas gerais, o quadro traçado ontem por seis palestrantes num seminário, em São Paulo, que debatia as perspectivas econômicas para 99.
O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, afirmou que os preços para os papéis brasileiros estão caindo no mercado externo, como estão caindo as taxas de risco. Assim, segundo Franco, já está havendo uma normalização do chamado fluxo de capitais (o dinheiro que entra e sai do país). Franco não fala em mudança da política cambial, nem faz previsão para os juros.
Para o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, a política cambial continuará como está, com a desvalorização do real na mesma marcha atual também no ano que vem, como indica o governo: 7,5% ao longo do ano.
O economista José Márcio Camargo é de opinião que o País está criando as condições para partir para uma taxa de câmbio mais flexível no futuro, fugindo da paridade adotada pela Argentina, por exemplo. A taxa básica dos juros, segundo Mailson, estará entre 24% e 25% na virada do ano. A redução continuará em 99, conforme o ajuste fiscal for sendo implementado. E a inflação deverá ficar na casa de 1,5% no próximo ano.
Mas a economia sofrerá uma retração entre 1% e 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma das riquezas produzidas pelo país. Há quem discorde. E nem é uma voz nacional. O economista-chefe para América Latina do banco francês Paribas, John Welch, prevê que o Brasil crescerá 0,8% no ano que vem.
Também na contramão das previsões, Welch acha que o final deste ano e o 1º trimestre de 99 não serão os momentos de maior retração na economia, mas, sim, o 2º e o 3ºtrimestres, quando o efeito inercial do momento atual houver se encerrado.
Na opinião de outro dos palestrantes, Edson Vaz Musa, sócio-diretor da empresa de consultoria MGDK, as empresas brasileiras estão sofrendo muito e o início do ano será difícil, mas a situação tende a melhorar até o final de 99.
Mailson da Nóbrega também prevê a retomada dos investimentos estrangeiros no País. ‘‘Deverão entrar cerca de US$ 18 bilhões no ano que vem. O Brasil continuará sendo um dos países a atrair maior volume de investimentos estrangeiros no mundo’’, afirmou o ex-ministro.
Franco não fez previsões, mas afirmou que as linhas de crédito estão se restabelecendo e que desde janeiro de 96 entraram US$ 49 bilhões de investimentos diretos. ‘‘Esses investimentos modificaram a face da economia brasileira’’, afirmou.
Para John Welch, a política econômica do governo está certa. Os investimentos externos já estão voltando, afirmou ele, concordando com Franco. Welch acredita que já no início de 99 o Brasil estará captando dinheiro no exterior com maior facilidade. Na visão do cientista político Sérgio Abranches, 99 será o ano para aprovar mudanças. ‘‘É um ano sem eleições e perfeito para fazer o ajuste’’, afirmou. Segundo ele, o governo não perde nada, politicamente, com o episódio dos ‘‘grampos’’ telefônicos que derrubaram o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros e outros três assessores de confiança do presidente FHC. ‘‘Mas o Ministério da Produção pode ser uma idéia arriscada. A política econômica do governo não é compatível com a idéia de política industrial defendida pelos empresários.’’

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