O aumento das exportações de carne de frango não está sendo acompanhado pela receita. No primeiro semestre desse ano o volume exportado foi 17% maior em relação ao ano passado. Mas o preço da carne de frango no mercado externo caiu de US$ 1.235,00/tonelada, em média, no ano passado para US$ 899 a tonelada, em média, esse ano. A queda no preço do frango no mercado externo é atribuída ao aumento da produção mundial ocorrida esse ano, que cresceu 6,3% em relação a 1999.
O aumento da produção mundial de carne de frango, gerou excedentes exportáveis em várias partes do mundo, derrubando as cotações do produto, avaliou o médico veterinário Athaíde Miranda, do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura (Deral). Mas a abertura de novos mercados e o aumento na exportação de cortes e produtos semi-elaborados, manteve o setor em crescimento, justificou.
Para Miranda, o setor avícola brasileiro estaria retomando o crescimento, caso não houvesse a crise de desabastecimento de milho, que está ameaçando principalmente as empresas de pequeno e médio porte, nesse segundo semestre. Ele destaca que aquelas empresas que não têm grandes estoques de milho, terão que reduzir a produção ao máximo para se manter timidamente no mercado. ‘‘O problema é que elas terão que repassar os custos, que serão elevados em função da escassez de milho’’, destacou.
Miranda acredita que as grandes empresas, abastecidas, que mantêm estoques suficientes para aguentar a travessia até a próxima safra, vão eliminar a concorrência, baixando os preços do frango num primeiro momento. ‘‘Em seguida, quando ficarem sozinhos no mercado, terão mais liberdade em praticar os preços mais convenientes ao setor’’, conclui.
No ano passado foram exportadas 770 mil t de carne de frango e esse ano já foram embarcadas 591.885 t, até o mês de agosto. Esse volume já é 24% maior em relação a igual período do ano passado. Mas a receita cambial contabilizada até o mês de agosto atingiu US$ 526,1 milhões, o que corresponde a uma queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo Miranda, as grandes empresas exportadoras como Sadia e Perdigão estão optando pela exportação de frangos em cortes ou semi-elaborados, mais valorizados no mercado externo. Para se ter uma idéia, o frango inteiro ‘‘in natura’’ foi vendido em média por US$ 677 a tonelada, nesse primeiro semestre, enquanto a cotação de frango em cortes atingiu US$ 1.124,44 a t. Até o final do ano, a expectativa é manter a tendência de aumento nas exportações. ‘‘Mas os empresários estão céticos em relação à reação das cotações do produto no mercado externo em função dos pesados subsídios que os produtores dos países concorrentes recebem’’, explicou.
As grandes empresas que têm capital e indústrias mais estruturadas tecnicamente, concentram a linha de produção em produtos semi-elaborados, mais valorizados também no mercado externo. Já as pequenas e médias empresas que não têm essa estrutura técnica, e só exportam frango resfriado ou em cortes, a competição será mais difícil e o rendimento em dólar será inferior ao das grandes empresas.

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