País realiza primeira emissão em reais
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segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Ney Hayashi da Cruz<br>Folhapress 
Brasília - O governo brasileiro emitiu hoje, pela primeira, títulos da dívida externa atrelados ao real. Por meio da operação, o país conseguiu um empréstimo de R$ 3,5 bilhões e terá até 2016 para quitá-lo. Nesse período, irá pagar juros de 12,75% ao ano aos investidores.
A vantagem desse tipo de operação é a ausência do chamado risco cambial: mesmo que a cotação do dólar dispare nos próximos anos, o valor do empréstimo, que é medido em reais, não muda. Os títulos em reais lançados pelo governo no mercado brasileiro têm prazo mais reduzido, variando de um a dois anos.
O risco assumido pelo governo e pelos investidores na operação é, justamente, o comportamento dos juros no Brasil. Se os juros permanecerem elevados nos próximos 11 anos, o ganho será do governo, que terá conseguido um empréstimo a um custo mais baixo que a média. Caso contrário, os investidores ganham mais.
Para José Antônio Gragnani, secretário-adjunto do Tesouro Nacional, as condições obtidas pelo governo na emissão de ontem ficaram ''dentro do esperado''. ''O resultado mostra que o investidor estrangeiro está vendo as qualidades do país. Vê que que é interessante investir no Brasil'', disse.
O lançamento foi intermediado pelos bancos americanos Goldman Sachs e J.P. Morgan, com o auxílio do Itaú. Segundo o Tesouro, a presença de um banco nacional, incomum nesse tipo de operação, foi importante para ajudar na venda dos títulos.
Embora seja a primeira emissão internacional em reais feita pelo governo, empresas brasileiras já haviam feito emissões semelhantes. Gragnani diz que o lançamento do Tesouro poderá estimular o setor privado a fazer novas captações desse tipo. Isso porque, a partir de agora, as operações privadas poderão usar o lançamento do governo como parâmetro, o que pode facilitar, por exemplo, negociações em torno de prazo e taxas dos financiamentos.
Em dólares, a emissão feita pelo governo ontem soma cerca de US$ 1,5 bilhão, que deve ser depositado nas reservas internacionais na próxima segunda-feira. O plano do governo era captar US$ 9 bilhões entre 2006 e 2007 para refinanciar seus compromissos externos, mas, diante das condições favoráveis do mercado, começou a emitir títulos já neste ano.
Há duas semanas, o Tesouro já havia lançado US$ 1 bilhão que, pagando juros em dólar de 8,52% ao ano, vencerão em 2025. Entre janeiro e agosto, outros US$ 4,5 bilhões em títulos da dívida externa foram emitidos. Além disso, outros US$ 4,4 bilhões em papéis foram lançados para substituir os C-Bonds - títulos emitidos no processo de renegociação que se seguiu à moratória dos anos 80.


