País reabre importações de trigo norte-americano
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Mariângela Herédia Agência Estado 
Os Estados Unidos poderão retomar as exportações de trigo para o Brasil, paralisadas desde 1996. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, e o subsecretário de Agricultura para programas regulatórios e marketing do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Michael Dunn, assinaram ontem protocolo de intenções neste sentido.
O Brasil vai permitir as importações de trigo duro de inverno dos estados das Grandes Planícies, como Kansas, Texas e Oklahoma, entre outros, desde que embarcados no Rio Mississipi e portos do Golfo. O adido agrícola da embaixada dos Estados Unidos, Finn Rudd, disse que em 96 os Estados Unidos exportaram 760 mil toneladas de trigo para o Brasil, no valor total de US$ 174 milhões.
As exportações do trigo norte-americano foram paralisadas em função das exigências fitossanitárias feitas pelo Brasil para evitar a ocorrência de pragas inexistentes no País. Não estamos abrindo o mercado de trigo, pois ele sempre esteve aberto, afirmou Marques, ressaltando que os Estados Unidos é que se recusavam a emitir os certificados de origem do produto.
Sem garantia Com o protocolo de certificação técnica assinado hoje, o secretário acredita que o Brasil terá garantias da origem do trigo norte-americano, embora ressalve que não existe garantia absoluta contra o risco de pragas.
Na pauta nacional de negociação com os norte-americanos, o País colocou a abertura do mercado dos Estados Unidos para as carnes frescas e frutas, mas o subsecretário Dunn apenas acenou com a boa vontade para analisar o questionário que o Brasil deverá responder sobre as áreas livres de febre aftosa, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Não há prazo definido para análise, garantiu o adido Rudd.
No caso das frutas, o pedido do Brasil foi para a redução dos custos nas exportações de manga e mamão papaia, principalmente, em que os Estados Unidos obrigam a inspeção local por técnicos norte-americanos custeada pelas empresas nacionais. Dunn disse que o USDA vai abrir um escritório no Brasil em dezembro que deverá facilitar as negociações bilaterais.


