O Brasil pode exportar 10 mil toneladas de cortes bovinos de dianteiro para a Rússia ainda neste ano. O volume embarcado para o mercado russo deve chegar a 50 mil toneladas em 2002. ''A notícia da liberação das importações por parte da Rússia é boa, apesar de os russos comprarem somente cortes mais baratos de carne bovina, como dianteiro. Mas acredito que a Rússia pode vir a comprar alguns lotes de cortes especiais'', afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Edivar Queiroz.
Ontem, o governo da Rússia prometeu que vai liberar as importações de carnes brasileiras, entre suína e bovina, das áreas consideradas livres de febre aftosa com vacinação (Circuitos Pecuários Centro-Oeste e Leste). No momento, o Brasil só exporta recortes de carne bovina para a Rússia. Para Antenor Nogueira, do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), as exportações de carne bovina superarão facilmente 50 mil toneladas e poderão chegar a 100 mil tonela das por ano no médio prazo.
Nogueira disse que a Rússia importa anualmente 700 mil t de carne bovina e que os principais fornecedores são países da UE. ''O mercado russo é potencial para o Brasil, pois há certo temor em comprar carne bovina dos países europeus devido aos casos de vaca louca'', afirmou Nogueira. O Brasil vai investir mais em genética e melhoramento de pastos.
Para o gerente de exportação do Frigorífico Bertin, Marco Bicchieri, os preços praticados por países da Europa poderão dificultar as exportações de carne bovina do Brasil para a Rússia. ''Os europeus exportam carne bovina com incentivos da Comunidade Européia. Esses incentivos devem dificultar as exportações brasileiras'', afirmou Bicchieri. Ele explicou que, hoje, lotes de dianteiro desossado são vendidos no Brasil a US$ 1.400/t, preço FOB no Porto de Santos.
Países da UE, disse Bicchieiri, conseguem vender o mesmo tipo de carne a US$ 1.300/t, colocado em San Petersburgo, ou seja, já incluso o custo de frete. ''O preço de exportação dos cortes de dianteiro desossado da União Européia equivaleria a US$ 1.100 por t, FOB nos portos de origem. Ou seja, os preços de exportação do produto brasileiro estariam US$ 300 por tonelada superiores aos oferecidos pela UE'', disse Bicchieiri.
O gerente de exportação do Frigorífico Bertin ressaltou que é importante ter novos mercados de exportação. Edivar Queiroz, presidente da Abiec, que também é diretor do Frigorífico Minerva, disse que sua empresa vai tentar exportar cortes de dianteiro pa ra a Rússia. ''Hoje, o frigorífico só exporta recortes para a indústria da Rússia. Tentaremos vender cortes de dianteiro'', disse ele. O Bertin também vende recortes de carne bovina para a Rússia.
O analista João Antonio Beltrami Filho, da FNP Consultoria, afirmou que a Rússia estudava importar carne bovina do Brasil, mas suspendeu as negociações em maio último, quando focos de febre aftosa foram registrados no rebanho bovino do Rio Grande do Sul.
''A Rússia importa poucos lotes de carne bovina do Brasil. O forte é a venda de carne suína'', disse Beltrami.

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