Se a safra 1997/98 correr bem e o governo tiver, já no começo do segundo semestre, um diagnóstico de que o abastecimento será regular, as importações de alimentos devem começar a diminuir. A previsão é do Ministério da Agricultura que apostam no resultado positivo da redução das taxas de juros para financiamento de custeio e aumento do volume de crédito em relação à safra anterior. Acreditam especialmente na ampliação do Pronaf - Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar. O Ministério da Agricultura quer ver se consegue restringir ao Mercosul as importações de alimentos.
Os países do Mercosul respondem por 53% das importações agrícolas brasileiras, sendo que 70% deste total vem da Argentina. Apesar de o saldo agrícola brasileiro com o resto do mundo ter-se mostrado positivo nos últimos sete anos, a balança agrícola com o Mercosul é deficitária desde a criação do bloco, registrando no ano passado um déficit recorde de US$ 2,7 bilhões.
Das principais importações agrícolas brasileiras do Mercosul, o trigo é o produto de maior peso desde 1990 e, no ano passado, representou 24% de todas as compras agrícolas no bloco. Do total de trigo importado, 97% foram provenientes da Argentina, que responde por quase 80% da produção tritícola do Mercosul, estimada em 19,4 milhões de toneladas (4% da produção mundial). O Brasil detém 16% da produção de trigo do Mercosul, o Paraguai 2,7% e o Uruguai, 2,3%.
A Argentina é o único exportador de farinha de trigo dos quatro países. No Brasil, a produção de trigo vem decrescendo desde 1987, recuando de 5,6 milhões de toneladas para 3,2 milhões de toneladas no ano passado, enquanto o consumo interno passou de 8 milhões de toneladas em 1986 para 8,5 milhões de toneladas no ano passado.
Segundo o técnico da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Ricardo Severo, que elaborou um trabalho sobre a agricultura no Mercosul, o Brasil é o País mais dependente das importações de trigo do bloco. O Brasil é também o maior comprador de algodão do Mercosul e um dos maiores importadores do mundo, gastando US$ 858 milhões no ano passado. O Mercosul respondeu por 46% das importações brasileiras de algodão, sendo 26% da Argentina e 20% do Paraguai.
Arroz O arroz é o terceiro produto da lista de importações agrícolas no Mercosul, apesar de o Brasil produzir cerca de 61% de todo o arroz na América do Sul, sendo um dos 10 principais produtores de arroz do mundo.
A necessidade de compra de arroz no exterior, que este ano poderá transformar o Brasil no maior importador do mundo com 1,2 milhão de toneladas, decorre, na avaliação de Severo, do alto consumo per capita, que é de 74,6 quilos por habitante ao ano, enquanto na Argentina este consumo é de 11 kg/hab/ano.
Atualmente, o Brasil produz em torno de 10 milhões de toneladas, atendendo cerca de 90% do consumo nacional. Do total importado em 1996, 98% vieram do Mercosul, sendo 37% da Argentina e 56% do Uruguai. Segundo Severo, o grande aumento nas importações de arroz de 1990 a 1996 decorre da elevação do consumo aliada à diminuição da produção brasileira.
A elevada carga tributária incidente na cultura de arroz (cerca de 40% do custo total) e o alto valor do arrendamento da terra desestimulou, de acordo com o técnico, os produtores do sul do País que estão se deslocando para os países vizinhos. Na Argentina, o valor do imposto pode chegar a 16% e no Uruguai 14% do custo final da produção de arroz irrigado.
Soja e milho Principal produtor e importador de soja do Mercosul, o Brasil produziu, em 1996, cerca de 23 milhões de toneladas e importou 937 mil toneladas, enquanto a Argentina produziu 14 milhões de toneladas e o Paraguai 2,5 milhões de toneladas. Em conjunto, o Mercosul produziu cerca de 30% da soja mundial. No ano passado, 76,5% das importações brasileiras de soja vieram do Paraguai, onde há agricultores brasileiros produzindo.
Já com relação ao milho, apesar de ser o maior importador e consumidor de milho do Mercosul, o Brasil reduziu as importações do produto em 1996 em razão da grande produção nacional.
O custo brasileiro de produção é o maior entre os países do Mercosul com US$ 316 por hectare, enquanto na Argentina o custo é de US$ 152/ha, no Paraguai US$ 262/ha e no Uruguai US$ 233/ha. As vantagens brasileiras surgem quando se compara a produtividade média: de 3 toneladas por hectare no Brasil contra 1,7 t/ha da Argentina e 2 t/ha do Paraguai.Agência Estado

Consumo internoMinistério da Agricultura aposta na abundância da oferta da próxima safra para reduzir as importaçõesSÃO PAULO

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