Vânia Casado
O quadro de escassez de café brasileiro está levando o país a rever as cotas de exportação estabelecidas no programa da Associação dos Países Produtores de Café (APPC). A informação é da Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé), ao prever que o Brasil não vai conseguir cumprir a quota de 15 milhões de sacas no período 97/98. Para se ter uma idéia da escassez do produto, no semestre julho a dezembro de 97, o Brasil exportou 6,9 milhões de sacas contra uma quota de 9 milhões.
O volume de exportações vem caindo nos últimos meses. Em dezembro, por exemplo, o volume exportado foi de 1.010.551 sacas de 60 kg, 37% inferior às exportações no mesmo período de 1996.
O preço médio das exportações em dezembro foi de US$ 194,01/saca, um aumento de 5% em relação a novembro. Os preços médios de exportação têm se mantido na faixa de US$ 185 a US$ 210/saca, enquanto os preços dos cafés suaves da Colômbia e América Central sofreram uma queda de 25% desde maio.
O quadro de escassez foi comprovado pela elevação da demanda pelo café brasileiro, que está avaliado entre 29 a 30 milhões de sacas/ano entre a exportação e o mercado interno. A safra 97/98 teve uma produção de 22,4 milhões de sacas, sendo que o governo teve de liberar 1,2 milhão de sacas desde julho de 97 para equilibrar o quadro de déficit.
Em função desse interesse pela produção nacional, o café brasileiro vem se beneficiando pelo aumento das cotações no mercado internacional. O preço médio de exportação subiu 43%, de US$ 133/saca para US$ 190. O bom desempenho nas exportações rendeu ao café a quarta colocação na pauta de exportações, sendo responsável por 5,3% da receita. Em 1997 a receita foi de US$ 2,75 bilhões, 60% superior ao resultado de 96, quando as exportações geraram uma receita de US$ 1,72 bilhão.
Mercado tenso A escassez do café brasileiro está provocando oscilações bruscas no mercado. Depois de uma alta significativa no início da semana, quando o café ultrapassou os R$ 250,00 a saca, ontem o mercado estava totalmente parado na praça de Londrina e a cotação média recuou para R$ 240,00 a saca. O corretor Marco Bassetti, da Bolsa de Mercadorias de Londrina, acredita numa realização de lucros na bolsa de Nova York, onde ocorre o pregão no mercado externo.
No mercado interno, em pleno período de entressafra, a oscilação de preços ocorre em função do interesse do comprador. Quando ele corre ao mercado para cobrir uma operação, aquece as cotações. Quando atinge a cota, o mercado volta a se acalmar, explicou Bassetti. Para a próxima semana está sendo esperada uma nova alta no preço do café. Ela será confirmada se ocorrer a anunciada greve de caminhoneiros da Colômbia que poderá prejudicar os embarques, o que será mais um fator de pressão no mercado, acrescentou.
A ansiedade do mercado só será acalmada no final do mês, quando o MICT divulgar os números da safra brasileira 98/99, o orçamento do Funcafé destinado ao custeio das lavouras e financiamento da indústria e da exportação.

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