País quer exportar manga ao Japão
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília A decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de condenar o Japão por impor barreiras à importação de frutas também favorece o Brasil. A opinião é do chefe da divisão de cooperação técnica e acordos sanitários internacionais do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro.
A queixa foi apresentada pelos Estados Unidos e o Brasil participou do processo como terceira parte. ''A punição da OMC ao Japão reforça o que está previsto em lei. Um dos objetivos das normas internacionais é estabelecer as regras e evitar que os países façam exigências além do necessário para o reconhecimento de uma área livre de determinada doença ou praga'', afirmou Ribeiro. Mas, segundo ele, o Japão não cumpre as normas internacionais. Ele explicou que há, nos Estados Unidos, áreas livres de fogo bacteriano (''fire blight'').
Os japoneses reconhecem essas áreas, mas exigem que os americanos criem também uma área tampão, argumentando que é preciso evitar que determinadas pragas entrem no país nas cargas de maçãs importadas dos Estados Unidos. A criação de áreas tampões não é prevista na norma internacional de medidas fitossanitárias número 4, aprovada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). ''Divergências internacionais baseadas em questões fitossanitárias que vão parar na OMC têm como base as normas internacionais do organismo relevante, no caso a FAO'', afirmou.
Apesar do Japão ter anunciado que recorrerá, Ribeiro comemorou a decisão da OMC. Para ele, a punição pode influenciar a abertura do mercado japonês para a manga brasileira caso o Japão reconheça que a mosca da carambola - um dos empecilhos para a venda da fruta brasileira ao mercado japonês - está limitada ao Amapá. ''Se o Japão reconhecer que o problema está limitado a uma área, podemos abrir esse mercado para a manga brasileira. É isso que estamos tentando mostrar ao Japão: que o problema da mosca da carambola está limitado à divisa do País com a Guiana Francesa e que todas as demais áreas estão livres'', completou.
Comenta-se em Brasília que o Brasil tenta há 23 anos abrir o mercado japonês para a manga nacional. Oficialmente, o ministério informa que as negociações completaram 18 anos.


