Exportar álcool para os Estados Unidos e alimentos para o Japão serão duas prioridades do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em 2001, disse ontem o ministro Alcides Tápias. Os contratos estão em fase de conclusão e segundo Tápias, o objetivo do governo é criar um mercado para a exportação contínua de álcool anidro, que é misturado à gasolina no Brasil. O ministro vê na necessidade de os Estados Unidos terem de substituir o uso do MTBE, solução poluente utilizada na gasolina nesse país, uma oportunidade de ganhar esse mercado. Quanto aos alimentos as negociações com o Japão estão em fase de conclusão e abrangem carne bovina, frango e complexo soja.
Tápias acredita que o programa de cooperação que o governo retomou com o Japão este ano, pode gerar oportunidades de exportação de agronegócios de vários bilhões de dólares em três anos. O programa consiste em oferecer seis setores para o Japão investir no Brasil sozinho ou em parceria, para produção de alimentos no Brasil e exportação para o Japão, que importa US$ 56 bilhões por ano somente em alimentos.
Para Tápias, a necessidade de obedecer padrões ambientais no consumo de combustíveis vai criar uma demanda no mundo por um produto que o Brasil possui a melhor tecnologia de produção. ‘‘Há uma necessidade cada vez maior de preservação ambiental e isso influencia cada vez mais o comércio, temos de aproveitar o fato de possuirmos a tecnologia para produzir o produto menos poluente’’, disse. ‘‘A abertura de um mercado externo para o álcool será uma contribuição significativa para a balança comercial’’, afirmou.
Álcool De acordo com o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, o Brasil consome 11 bilhões de litro de álcool por ano, mas tem capacidade para produzir 20 bilhões, portanto, pode exportar o excedente. O ministro lembrou, porém, que apesar de haver capacidade instalada para a produção, não há plantação suficiente de cana-de-açúcar, mas afirmou que o aumento dessa cultura está em discussão no governo. O ministro acredita que os Estados do Norte e Nordeste, pelas características de solo e climáticas, são ideais para concentrar essa produção.
Segundo Tápias, há uma missão de diplomatas no Japão atualmente tratando do assunto e os setores escolhidos serão divulgados depois de acertados com o governo japonês. De acordo com o ministro, esses projetos vão ajudar a manter o ritmo de crescimento das exportações. O ministro abandonou as metas para o saldo da balança comercial e disse que, para o ano que vem, o objetivo será aumentar as exportações em 20%, a exemplo do que ocorreu este ano. ‘‘Infelizmente este ano tivemos o problema do petróleo e um aumento inesperado das importações, mas isso foi por um bom motivo, que foi o crescimento da economia’’, disse.
Outra prioridade, segundo Tápias, será atrair empresas de tecnologia para produzir componentes no Brasil, com o objetivo de exportar para a América Latina e acabar com a dependência de importações desses produtos, que este ano foram responsáveis por um déficit de US$ 6 bilhões na balança comercial. Mas isso, repetiu o ministro, ainda depende da aprovação da Lei de Informática, pela Câmara dos Deputados.

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