País quer elevar produção de trigo
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo estadual e a cadeia produtiva de trigo no Paraná apresentaram ontem ao Ministério da Agricultura um plano plurianual para o desenvolvimento da triticultura no Brasil. A intenção do ministério é que o poder público e os elos produtivos do grão assinem um protocolo de intenções até o final deste ano, com o objetivo de aumentar a produção de trigo dos 3 milhões de toneladas atuais para 6,5 milhões de toneladas em 2007, cobrindo 60% do consumo nacional.
O consumo anual de trigo no Brasil é de 10,4 milhões de toneladas, mas atualmente apenas 30% são produzidos internamente. O restante precisa ser importado, o que pressiona a balança comercial brasileira. De acordo com dados do plano plurianual, o País deve gastar neste ano R$ 1,1 bilhão para importar 7,4 milhões de toneladas do grão. O protocolo de intenções prevê reduzir esse valor para R$ 568,6 milhões, em 2007, destinados à aquisição de 4,37 milhões de toneladas.
De acordo com o coordenador do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), Richardson de Souza, o plano de desenvolvimento do trigo pretende dar garantia de abastecimento à indústria e preços remunerados ao produtor. O secretário de Política Agrícola do ministério, José Maria dos Anjos, vai analisar o plano e organizar uma reunião nacional sobre o tema. As entidades envolvidas pretendem levar o assunto para a equipe de transição do governo federal, informou Souza.
A cadeia produtiva tem pressa em assinar o protocolo ainda esse ano para que as regras estejam valendo para a próxima safra do trigo, que, no Paraná, começa a ser plantada em fevereiro, explicou Souza. Segundo ele, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), vai dar preferência para o trigo nacional, remunerando o produtor na equivalência do trigo importado entregue nos portos brasileiros, com a mesma qualidade. ''É um projeto bem maduro, que conta com o envolvimento das principais entidades da cadeia produtiva e tem tudo para dar certo'', avaliou.
Flávio Turra, da gerência técnica e econômica do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), disse que também está otimista com o plano. ''Trabalhamos com o horizonte de cinco anos, e há perspectiva de que possamos até fazer algumas exportações para viabilizar a produção, principalmente no Sul do País, que produz mais do que consome'', relatou. Segundo ele, os planos antigos de incentivar o plantio de trigo centralizavam a comercialização, e por isso não vingaram. ''Não se joga mais a responsabilidade de preços para o governo federal, mas a própria cadeia assume'', explicou.


