Terminadas as festividades de fim de ano, os pais foram nesta semana às papelarias em busca do material escolar de seus filhos. No entanto, eles deverão encontrar itens em média 10% mais caros nas prateleiras, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE). A alta tem relação com o aumento do dólar, de tributos, de insumos e de mão de obra, afirma a entidade. Artigos importados estão com incremento ainda maior: de 20% a 30%, devido à alta do dólar.
Quem antecipou as compras de material escolar no ano passado levou a melhor e conseguiu adquirir itens com preços de 2015, observa Álvaro Loureiro Junior, proprietário das papelarias Dínamus e Mega Feira Escolar em Londrina, região e cidades vizinhas. No entanto, a maioria deixou as compras para depois do Ano Novo. Na última terça-feira, as papelarias já começavam a receber grande movimento.
Os consumidores estão em busca de produtos com preços mais em conta, diz o empresário. "Este vai ser o ‘volta às aulas’ dos itens mais baratos." As mochilas estão entre os mais caros da lista, e a palavra de ordem é reaproveitar. "As mochilas são todas fabricadas na China. Subiram 52% com a alta do dólar do ano passado para este ano. Ainda que a indústria absorve um pouco disso, e o lojista também", conta Loureiro.
No ano passado, lojas do empresário chegaram a registrar 27% de queda nas vendas. Para este ano, ele espera mais queda – em média de 10% a 15% - ou crescimento tímido. A sua percepção, no geral, é que o material escolar teve uma alta ainda maior que a estimada pela ABFIAE e chega a 20% a 30%.

Pais: preparem o bolso para o ‘volta às aulas’
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Mudança de hábito
Para driblar a alta dos produtos, os pais estão mudando os hábitos de consumo. "Se pede caderno de 1.000 folhas, compro de 500", exemplifica a operadora de caixa Vanessa Rodrigues, que tem duas filhas na escola. "Compro tudo do mais básico possível", diz, por sua vez, Elisabete Silva Rocha, vendedora e mãe de Gabriella Maria, que está no 3º ano. Fã dos produtos de personagens, Gabriella pede cadernos licenciados, mas acaba acatando a decisão da mãe de economizar.
Já Monique Cristina da Silva, dona de casa e mãe de Cauã e Ana Clara, diz que não vai comprar todo o material da lista logo de início. "Não vou comprar tudo o que vem na lista agora. No final do ano compro o restante."
Segundo o diretor de relações institucionais da Associação, Ricardo Carrijo, a compra de produtos pelas papelarias em geral está realmente caindo. Os lojistas também estão mais cautelosos e adiando as compras para mais tarde para sentir a demanda dos consumidores. "As compras estão mais conservadoras. Com um ambiente econômico mais carregado, onda de desemprego, cautela por parte do consumidor e comerciantes, ninguém faz estoque."
Até agora, de acordo com Carrijo, as vendas das fabricantes aos lojistas estão de 5% a 10% mais baixas que no ano passado, mas o cenário pode mudar até o final do volta às aulas, que geralmente vai até o final de fevereiro, e equilibrar com as vendas do ano passado ou até mesmo crescer de forma reduzida.

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